quinta-feira, maio 19, 2011

Óculos e lentes

Fui comprar lentes de contacto no outro dia. A empregada da óptica já me conhece, pelo que me recebe com um enorme sorriso e um trejeito de mamas provocador.
A meio da conversa ela pergunta-me se eu tenho óculos e eu digo que sim. Ela aponta para as lunetas que traz na cara e refere o facto de ter uns óculos de armação transparente que quase não se notam. «É como andar sem nada na cara!» exclama entre um riso descontrolado.
Pessoas que me lêem:

Ponto número 1: Uma gaja de óculos não é sexy. Podem até pensar que têm um ar de professora de liceu marota, mas isso só resulta se andarem a tentar engatar miúdos de 15 anos que acabaram de descobrir a sexualidade. Dizer que uma gaja de óculos é atraente é o mesmo que dizer que as amigas on line concorrentes do Peso Pesado são mesmo amigas. É mentira. São fufas.

Ponto número 2: Óculos transparentes que mal se notam na cara é um mito urbano. A não ser que estejamos a 2 km da pessoa, ou que sejamos extremamente míopes o facto é que temos uns óculos na cara. Por muito transparentes que sejam, há uns vidros à frente dos vossos olhos suspensos por uma armação. Se querem passar despercebidas comprem uns de massa. Não haverá alma masculina que olhe duas vezes para vocês.

Ponto número 3: A gaja deu-me a graduação errada de lentes e eu só reparei quando cheguei a casa e meti as lentes nos olhos. Estou agora com umas lentes uma dioptria abaixo do que efectivamente uso. É possível portanto que óculos transparentes me pareçam reflexos de uma cútis saudável. Ou não.

sexta-feira, maio 06, 2011

Sapatilhas...

Fui a um congresso a semana passada.
O meu principal problema de ir a congressos não é a comunicação em si. É a roupa que levo vestida.
O ano passado fui a um congresso em Lisboa vestido como se fosse para um casamento da família real inglesa, exceptuando o chapéu.
Quando chego lá, está tudo de calças de ganga e t-shirt e um ar rebel-chick de quem foge às regras. Obviamente fora de tom, corro para a casa de banho, livro-me da gravata, despenteio o cabelo e desabotôo 5 botões da camisa. A apresentação foi um sucesso, com as pessoas quase a chorarem de emoção no final.
A partir daí nos congressos a que fui levei sempre sapatilhas e calças de ganga, e um ar de rebelde investigador com o charme dos fora-da-lei.
A história foi diferente a semana passada.
Estou na minha mesa de debate, depois de uma apresentação brilhante e dos elogios e cumprimentos de todos os psiquiatras presentes, incluindo uma psiquiatra mamalhuda e muito solícita.
A meio do debate, e depois de eu ter brilhado em respostas dúbias que deixaram toda a gente na mesma, vira-se um bronco qualquer (parece que regente de uma cadeira de Psiquiatria numa importante faculdade do país) e diz: «Robene, muitos parabéns pela apresentação brilhante. Não tarda estará a dar aulas na faculdade»
E eu rio-me imenso e estou quase a vir-me nas cuecas, quando o idiota acrescenta «Sem sapatilhas claro».
O Robene interessante e rockeiro torna-se em 2 segundos no maltrapilho vagabundo que veio dar uma palestra de sapatilhas. Toda a minha mística cool por água abaixo.
Cabisbaixo sussurro um: «custaram-me 80 euros», mas está toda a gente excitadíssima a olhar-me para as sapatilhas brancas com uma risca vermelha e outra azul.

Pelo sim pelo não, para a próxima volto ao fato.