sexta-feira, janeiro 07, 2011

Underground

Hoje peguei em alguns livros da Biblioteca da UC e fui ao centro de cópias ao lado de minha casa.
Cheguei lá, aquilo cheio de gente, e eu viro-me para a empregada e digo: «queria que me fotocopiasse estes livros».
A empregada olha com ar chocado para mim. Pelo menos mais três dezenas de olhos estão colados em mim. Discretamente tento ver se apertei a braguilha ou se a minha camisola não tem nódoas. Parece-me tudo bem. A empregada limita-se a apontar para um anúncio na parede que diz: Não se fotocopiam livros, nem partes de livros.
Meio abananado, saio e dirijo-me a outro centro de cópias.
A conversa é a mesma. Sou olhado como se fosse um criminoso e tivesse acabado de violar algum petiz que tivesse saído da primária.
Vou ao terceiro centro de cópias, já com suores frios. A medo pergunto: «Fotocopiam livros? »
O senhor responde-me que não. Ao que parece, fotocopiar livros é ilegal! Acaba a conversa com um: »e esses até têm o selo da biblioteca da UC onde é que já se viu? Sabe que pode ser multado
Sinto-me como o Carlos Cruz no caso Casa Pia. Obviamente culpado, mas sempre pensei que toda a gente fazia o mesmo.
Desesperado telefono a um amigo bolseiro que me dá uma morada.
Este centro de cópias fica numa cave. Para lá chegar tive de perguntar a vários arrumnadores de carros e prostitutas, sendo que nenhum deles sabia a exacta localização do dito centro, mas já tinham ouvido falar dele.
Quando finalmente dou com ele, atende-me uma velha com uma verruga. Olho em volta. Tudo é velho e sujo, vislumbro bolor e humidade em todos os cantos e eu penso que me vão drogar e roubar um rim.
Quase borrado pergunto: «Tiram fotocópias de livros
Velha da verruga: «Para quando quer?»

Eu vou é cagar no doutoramento e começar um negócio underground de cópias de livros. Está mais que visto que vou ganhar mais e ter menos trabalho.
Entretanto rezo para que os meus livros saiam intactos da experiência.

15 comentários:

Kaipiroska disse...

Por cá (em Ponta Delgada), não temos qualquer problema em tirar cópias de livros, mesmo que sejam requisitados e com o selo da Biblioteca. É prática comum. Cá não fazias negócio... :)

disse...

Ó pá, desculpa lá, mas tu escreves que é de morte, dás um tom cómico-irónico à coisa que eu fico para aqui a rir-me com ataques de tosse devido a quase pneumonia. Há muito tempo que não me ria assim!

Cristina Santos Silva disse...

É certamente um bom negócio, e podes sempre criar uma biblioteca de fotocópias... É que tirar fotocópias de fotocópias já não deverá ser considerado um crime grave!!! Verdade?

Mas agora pergunto-me eu, para que servem então os Centros de Cópias?

Kelle disse...

Já tive várias discussões sobre este assunto!
De acordo com a lei (http://dre.pt/pdf1sdip/2008/04/06400/0189401983.PDF) no capítulo II, artigo 75º diz o seguinte: 2 — São lícitas, sem o consentimento do autor, as seguintes utilizações da obra:
a) A reprodução de obra, para fins exclusivamente privados, em papel ou suporte similar, realizada através de qualquer tipo de técnica fotográfica ou processo com resultados semelhantes, com excepção das partituras, bem como a reprodução em qualquer meio realizada por pessoa singular para uso privado e sem fins comerciais directos ou indirectos.
Deste modo, É PERMITIDO fotocopiar obras para uso pessoal, nomeadamente para investigação para uma tese de mestrado ou doutoramento como é o caso. Essas pessoas andam todas equivocadas, e se um dia se recusam a fotocopiar o que quer que seja para a minha Tese de Mestrado, eu sou bem capaz de lhes ir imprimir a lei e colá-la por cima desses tais avisos!

rosemary disse...

Mas isso há muito que é probido copiar livros, mas há sempre maneira de dar a volta ao assunto se não não seria possivel estudantes acabarem os seus cursos, não me venham com coisas! ;)

bjs*

Anónimo disse...

Pelo Pólo I há pelo menos dois centros de cópias que fotocopiam os livros e não são uma cena underground, muito pelo contrário. Mas antes de perguntares se fotocopiam livros dá uma vista de olhos pelo pessoal na fila, isso pode condicionar a resposta que ouves.

Robene disse...

Amigos, amigos, muito obrigado pelas vossas palavras de apoio, especialmente à Kelle que denoto que já estudou a fundo este assunto. Vou imprimir o tal decreto e andar com ele sempre que for a uma casa de cópias!

Anónimo disse...

Ora, não sabia que isso aí por cima, pelos lados da Universidade andava assim.
Cá em baixo em S.Martinho enquanto andava a estudar nunca tive desses problemas, apesar de a reprografia da minha escola ostentar um cartaz a referir que a cópia de livros era proibida a verdade é que bastava pedir uma listinha (mas tínhamos que pedir baixinho, diziam as funcionárias, porque nunca se sabe quem está atrás de nós na fila...priceless).
Ora bem a listinha, continha o nome de inúmeros livros e respectivo preçário, a maior parte deles até já estavam fotocopiados e encontravam-se guardados na arrecadação das escadas (também muito underground), nem se esperava só pagar e estava feito.

R. disse...

Kelle e Robene,
não vale a pena imprimirem a lei. A única coisa que ela vos permite é que requisitem o livro, tenham uma fotocopiadora em casa e o fotocopiem com as vossas mãozinhas. Quando um Centro de Cópias, vulgo estabelecimento comercial, o faz, viola a lei. E viola a lei porque vai vender as cópias, porque o negócio deles é vender cópias. Não interessa o fim. Até podia ser para forrarem o quarto com um novo papel de parede. Direitos de autor. Confesso que fico um bocado aborrecida quando vejo um livro inteirinho fotocopiado. Fruto provável de me ter dado um trabalho jeitoso produzir uma coisa que, não sendo enorme, é um livro e, não sendo imprescindível, pode ser útil. Só naquela...
Como aluna da licenciatura, mestranda e agora doutoranda, sei bem que às vezes dói... Por isso, quando o livro ultrapassa os preços razoáveis, o que faço é seleccionar muito bem o que preciso e..., quando é quase tudo, aproveitar as fotocopiadoras disponíveis na faculdade e perder muitas horas, não a virar frangos, mas a virar páginas.
Não é o sistema, nem a lei pela lei... é só uma maneira, com muitas falhas ainda, de os direitos de autor não serem só um lindo conjunto de intenções.

Mas pronto... ainda bem que descobriste a forma de contornar o problema e... pode até acontecer que um dia destes te peça essa morada (os livros andam pela hora da morte!) :)

Beijinhos*

Anónimo disse...

Ahahah
No meu tempo, (até parece que já tenho 30 anos) isso não acontecia!
Era vê-los a praticar crimes a cada minuto, sem terem mãos a medir.
A ASAE anda aí!!
Fujam fujam!

Anónimo disse...

Sendo também aluna da UC, nunca tive problemas em fotocopiar nenhum livro na íntegra ou partes do mesmo. Mas se calhar isto é só na FEUC... De qualquer forma, espero não precisar também de recorrer a esses estabelecimentos clandestinos ;)

tomaz disse...

é mais uma das coisas que, nos Açores, não se aplica a lei...tss tss

manda para cá o livro que nós fotocopiamos-te isso à borliu, vá.

e no press center da universidade!

Anónimo disse...

O mais giro dos direitos de autor, é que são somente uma percentagem minima do preço do preço de um livro, e quando falo em minima, nao passa alem de 10%...resultado, o dinheiro que alegadamente estamos a roubar ao autor é cagativo em comparaçao a brutalidade que se paga pelo livro...
eu nao me importo de pagar os direitos de autor...ao autor, e nao a editora! LOLol
e faço isso, mesmo sendo autor e estar metido com o processo editorial!
Robene, amigo, fotocopia que o povo está contigo!
;)

Eugénio disse...

Deve ser muito raro alguém ir fotocopiar coisas da própria autoria, logo em 99% dos casos, sendo o livro ou não, estamos a infringir direitos de autor.

Belo post sobre esta situação sem grande nexo

Pollykc disse...

ahahah
tirar cópias de partes de livros não é ilegal.
apenas se for inteiro...
pelo menos do que sei!
podes sempre copiar tudo excepto a dedicatória.

LOL