quinta-feira, março 15, 2012

Velocidade furiosa

O G. e a J., em honra ao seu recente noivado foram saltar de pára-quedas. Poderiam ter optado por um jantar romântico ou uma viagem especial mas decidiram que a melhor forma de festejar o compromisso para a vida era tentar morrer de forma dolorosa e com várias hemorragias internas.
Claro que o Robene foi ver o salto, sedento de gritos e quem sabe, uma perna partida ou ossos expostos. Eu próprio saltaria de avião. Se tivesse um cancro terminal, com dois dias de vida.
Chegamos ao sítio do salto, o G. com um grande sorriso, a J. á procura do minimercado mais perto para comprar fraldas. Eu obrigo o G. a assinar um papel em como fico com o sistema home-cinema dele caso alguma coisa corra mal.
Antes de saltarem, estão já uns quantos mafarrecos a saltar. A determinada altura vemos um pára-quedas a cair vertiginosamente, todo enrolado. O páraquedista parece ter perdido o controlo. Eu rio-me e bato palmas, à medida que a multidão acorre em massa soltando urros de preocupação. Afinal de contas o que estava a cair era o pára-quedas de segurança. Bastante desiludido volto a concentrar a minha atenção no G. e na J. que estão a receber as instruções para o salto, que basicamente consistem em enrolar as pernas no gajo que salta com eles e simular uma cena de sexo anal. «Mete as pernas por dentro das minhas, e coloca os braços ao lado da cabeça. Depois relaxa». Hum...eu próprio já disse esta frase várias vezes, noutros contextos.
Quanto ao salto em si não há muito a dizer: fiquei com um torcicolo de tanto olhar para cima e a determinada altura quando percebi que nada de excitante ia acontecer fui tomar café e fumar cigarros.
Quando tocaram no solo, o G. e a J. foram-se abraçar e beijar, numa cena melodramática que me fez questionar porque raio tinha acordado às 7 da manhã para vir ver duas pessoas a saltar de pára-quedas. Ainda pensei que pudessem estar tontos do salto, e que houvesse uma queda chocante com os dentes no chão, mas nada...

Sugeri já um fim de semana de Arboring. Vou levar umas facas e sabotar algumas cordas.

segunda-feira, março 05, 2012

Filas

Adoro o povo português. Somos complacentes para com os nossos políticos corruptos, discretos na altura de cortes de subsídios de férias e não nos importamos que nos tirem um ou outro feriado.
O que somos é incapazes de formar uma fila indiana.
E é aí que o lado animalesco dos tugas se revela na sua plenitude.
Vou no outro a um convívio académico. Coisa que na minha idade (29, já agora leitores desnaturados, nem uns parabéns) é um sério risco à saúde da minha bacia. Quando chego à porta, eu e outro dois ilustres doutorandos de 20 e muitos, deparamo-nos com um magote de gente às cotoveladas. Com uma atitude claramente distinta do resto da plebe, colocamo-nos de lado, por certo à espera de que a multidão de barba mal semeada reparasse no ar distinto de três jovens já quase a chegar aos trinta. Mas nada. Claramente precisávamos de nos imiscuir na multidão semi-bebâda.
Eu mando duas paralíticas ao gajo da frente, que se queda perante tal violência. Uma gaja ainda me berra aos ouvidos: «porco do caralho, eu estou aqui há duas horas», mas eu enfio-lhe uma cabeçada na testa e continuo a minha caminhada gloriosa pelo meio da multidão. Infelizmente a meio deparo-me com dois amigos que creio concorrentes da próxima Casa dos Segredos, e perante a evidência anabólica da coisa, prefiro ficar quietinho. Tratei há pouco tempo dos dentes, não quero correr o risco que me saia o chumbo dos molares à estalada. Mais pessoas continuam a chegar e metem-se pelos meios, chamam amigos, creio até ter visto alguém em crowd surfing para se chegar mais à frente.
A multidão mexe-se, contorce-se, mas ninguém entra. Atrás de mim, o Capitão Óbvio grita: Ninguém está a entrar!!
E como se isto fosse um grito de guerra, as pessoas ficam loucas: há miúdas de 18 anos a puxar do lip gloss e a usarem-no como faca, jovens de gorro a usarem o iPod como arma de arremesso, e eu sem dar por ela, levo com uma cerveja nos cornos.

Claramente a fúria dos jovens desempregados e sem dinheiro não está nas ruas. Está nas filas paras os convívios de medicina.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Óscares 2012

Não consigo perceber como é que a organização dos Óscares quer cativar público mais jovem... Ontem foi a cerimónia mais fastidiosa a que assisti a toda a minha vida. O Billy Crystal meteu botox em todos os pontos da cara, o Tom Cruise idem idem aspas aspas, e só me ri quando um dos gajos do Circo du Soleil (ou cirque du soleil, eu sei lá!) caiu de cú em cima de outro. E acho injusto a perna da Angelina Jolie não ter ganho o Óscar de melhor actriz. Mas pronto, segue-se a minha apreciação super fiel de todos os nomeados a melhor filme:

O artista: Adormeci a vinte minutos do fim. Eles cantam e dançam, mas como é mudo só conseguia ouvir-me a mim próprio a mastigar pipocas. Parece que havia um cão pelo meio, que merecia mais o Óscar que o Jean Dujardin, que já agora tinha dinheiro suficiente para alinhar a cremalheira.

Os descendentes: Adormeci 5 minutos depois do genérico. Esperem aquilo tinha genérico? George Clooney, a mulher mete-lhe os cornos e fica em coma. Agora vamos fazer uma história de duas horas sobre o nada.

War Horse: Há um cavalo, há umas guerras, há mais cavalos. Poderia ser um porno, mas é só chato que fode.

Extremamente alto, incrivelmente perto:...e absolutamente chato se me permitem.

As serviçais: Há umas pretas oprimidas e alguém come uma tarte com merda. As mamas da Jessica Chastain valem pelo resto do filme.

A árvore da vida: A árvore da vida merece um post só para si. É o pior filme que vi na minha vida. Temos close ups das caras dos actores, há dinossauros no meio de uma história de família que se resume ao Brad Pitt a dar umas lambiostinas aos filhos. No final toda a gente aparece na praia, e há um campo de girassóis que é filmado durante meia hora. Parece estranho? É capaz, mas isto foi só o que apanhei nos intervalos de jogar angry birds no telemóvel.

Meia noite em Paris: Tem o Owen Wilson, o pior actor da história do cinema. Podia ser um bom filme. Mas tem o Owen Wilson.

Hugo: Não vi. Não quero ver. Não me parece que o veja.

Moneyball: É um filme sobre basebol. Perto disto, um filme sobre o cultivo de batatas na Jamaica parece-me mais interessante.

E o Drive, ficou-se por uma nomeação...

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Lana del Rey...morre.

Enquanto jovem investigador a minha vida não podia ser mais excitante. Sei que este é um mundo por explorar para o comum dos mortais. Que fazem os jovens investigadores? De que falam as mentes mais brilhantes deste país? Quantas horas passam estes mártires da sociedade enfiados nos seus gabinetes partilhados por pelo menos 12 pessoas? A vossa curiosidade vai ser satisfeita.

Um dia na vida de um jovem investigador:

13h00: Jovem investigador Robene acorda.
13h30: Robene sai da cama. Hora do café da manhã (ahaha) e cigarros.
14h00: Almoço nas cantinas sociais. Normalmente frango. Comentar com os outros jovens investigadores o quanto a Lana del Rey é a coisa mais chata que apareceu nos últimos tempos. Mas que parece ter uma boa boca para o broche. Mais café. E cigarros.
15h00: Finalmente chega-se ao gabinete. Primeira pausa para café e cigarros. Alguém refere que a Lana del Rey na verdade chama-se Elizabeth qualquer coisa. Hipster do caraças. Pausa de dez minutos na internet a procurar fotos no google com as palavras Lana de Rey + mamas + broche.
15h30: Um pouco de trabalho. Não consigo parar de pensar na boca da Lana del Rey.
16hoo: Nova pausa para café e cigarros.
16h30: A M. refere que está com taquicardia por causa de tanto café que bebeu.
17h00: Pausa para café e cigarros. Eu monto-me em cima de um monte de jornais do médico e alguém tira uma foto enquanto eu simulo sexo anal com a contracapa de uma edição de 1952. Alguém descobre um artigo sobre cirurgias plásticas em vaginas. Uma coisa leva à outra e acabamos no youtube a ver vídeos da Lana de Rey.
18h00:Hora do pânico. A V. chora que nunca vai conseguir acabar a tese. O Z.C. descobre que as digitalizações da semana passada desapareceram do cartão de memória. Toda a gente decide fazer mais uma pausa, desta vez só para cigarros. Eu tenho uma extra-sístole, mas não tenho a certeza se é do café ou de ter pensado demasiado na Lana del Rey.
18h30: Todos vamos embora. Mais um dia de trabalho duro se avizinha amanhã.

Algumas semanas depois:
Orientador: Robene, está super atrasado na tese! Eu tenho-o visto todos os dias no gabinete, o que se passa?

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Back from the dead

Numa das minhas últimas idas ao club nocturno Afrodite, um club dedicado a...hum...jazz contemporâneo, a Marineuza, exímia tocadora de flauta transversal, perguntou-me na sua voz sexy brasileira: Robene, você não tem mais postado no seu blog não. Que passa? Já estou farta de ler Dostoievsky nas pausas de meus shows de table-jazzing. Quero ler algo novo seu sim?
Apesar de estar a pagar à hora à Marineuza e de imediatamente a ter mandado calar e continuar a tocar na flauta, efectivamente fiquei pensativo.
A verdade caros leitores é que tenho andado sem inspiração. Estou com um writer's block. A Marineuza explicou-me que quando fica bloqueada vai à farmácia comprar uma bisnaga de KY, mas eu suspeito que lubrificar o instrumento não me vá ajudar em nada.
Não tenho recebido bilhetinhos de vizinhas mamalhudas, não tenho recebido propostas sexuais duvidosas (as quais aceitaria num piscar de olhos), nem sequer tenho trabalhado o suficiente para vir mandar umas postas de pescada.
A Marineuza olha para mim de olhos tristes, marejados de lágrimas e com a flauta na mão.
Olho-a com doçura e sei que não posso desiludir as milhares de Marineuzas que por aí andam, a chorar o triste silêncio do seu mentor, Robene. Enquanto Marineuza tocar sua flauta, Robene escreverá suas crónicas.

Estou de volta caros leitores.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Chippendales

A Z. vai-se casar. Em consonância com o actual panorama de crise, em vez de contratar uns strippers para animar a despedida de solteira, decidimos que seriam Robene e os amigos G. e A. a animar a festa, com um strip sensual e acima de tudo sexual.
Após árduos dias de treino em minha casa, que consistiram em 3 jovens a dançar nús à volta de uma cadeira da sala, ao som do S&M da Rihanna (de persianas fechadas, claro), chegou o dia do grande espectáculo.
Claro que para nos animarmos, bebemos todos umas belas cervejas, pelo que 5 minutos antes do strip tive de ir aliviar a bexiga e mijei metade das calças. O cheiro a mijo tornou o espetáculo ainda mais visceral, claro.
A idiota da S., suposta DJ do nosso mui bem ensaiado show, enganou-se na entrada da música, pelo que tivémos de acelerar tudo o que tínhamos ensaiado. O show consistiu em três jovens garbosos e pançudos, aos saltos e a rodar em volta de uma noiva surpreendida e ligeiramente excitada. A plateia de jovens parecia estar tão boquiaberta quanto a noiva: entre risos e aplausos, encontrei 20 euros enfiados nas cuecas, o que só pode querer dizer que gostaram.

Estamos disponíveis para futuros espetáculos.

terça-feira, novembro 29, 2011

Ménage

Saio de casa no outro dia e tenho um bilhetinho no pára-brisas do carro. Excitadíssimo vou ver de que se trata: " Olá. És muito atraente. Queres-me conhecer? Estaciona o carro amanhã no mesmo sítio onde o tens agora."
Tenho portanto uma admiradora secreta.
Desde já tenho a dizer que esta admiradora não é uma gaja muito tecnológica. Se me quisesse mesmo conhecer já tinha arranjado maneira de me roubar uma carta da conta da luz e tinha-me ido pesquisar no Facebook. Não é assim que hoje em dia se conhecem pessoas? Por outro lado, sabendo onde eu moro, uma vez que apercebo-me agora, estou a ser constantemente vigiado, já me tinha ido colocar umas fotos semi-nua na caixa de correio.
Adiante...
Quem será esta jovem que suspira por mim ansiosamente em casa? Será que me construiu um altar? Será que foi ela que me roubou as cuecas-slip que nunca mais encontrei na minha gaveta de roupa interior?
Saio no outro dia para o ginásio e a vizinha da frente está fumar um cigarro na janela. Ela olha para mim, eu olho para ela. Há ali um eye contact que dura uns minutos, ela ri-se bastante, eu lanço o meu olhar à lá matador, ensaiado após anos a ver novelas brasileiras. Digo uma boa noite, ela dá um risinho e diz: "Boa noite vizinho" numa voz meio rouca de quem fuma um maço de tabaco por dia. "Só pode ser esta gaja, eu bem sabia", penso eu.
Volto do ginásio. Agora quem está a fumar um cigarro na mesma varanda onde horas antes estava a mamalhuda da vizinha é um gajo. Eu juro que ele olha para mim, lambe os lábios e dá uma passa no cigarro. Bem alto diz: "Boa noite vizinho" seguido de um piscar de olho.

Ou muito me engano ou estou a ser aliciado para um ménage à trois.

terça-feira, outubro 25, 2011

Prostituição undercover

No último fim de semana:

B. (espécime masculino): Então Robene, ouvimos dizer que vais alugar o quarto de tua casa.
Robene: Es berdad.
B.:Vais alugar a uma gaja?
Robene: Nop. A um gajo.
B.:Que grande erro, alugavas a uma boazona!
Robene: Hum, isso não ia dar certo. Inevitavelmente a gaja não ia resistir ao meu charme poderoso e íamos acabar por ir para a cama e depois eu ia estar a viver com ela. Não é uma boa ideia.
B. (olhos a brilhar, ligeira erecção): Não era boa ideia?? Depois davas aquela desculpa de as coisas terem ficado estranhas, mandava-la embora, mas antes ela pagava a semana que lá esteve! E todas as semanas tinhas lá boazudas diferentes, que te iam pagar por terem sexo!

Hum, ou muito me engano ou o B. é o amigo mais inteligente que tenho.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Jovem procura companheiro

Caríssimo leitores, a vida anda difícil para todos, e a crise chegou ao estaminé. Eu a pensar que agora com anúncios ia arrecadar pipas de massa, mas vocês seus unhas de fome, ainda só me fizeram ganhar 20 euros.
Passei a fumar tabaco de enrolar (coisa de pobre) e tive de me moderar na quantidade de brasileiras mamalhudas a que ando a pagar (passei a masturbar-me a ver a casa dos segredos, vai dar ao mesmo).
Ainda assim tive de colocar um dos meus quartos de casa a alugar. A ideia surgiu-me depois de ver um filme chamado: Jovem procura companheira, em que uma jovem garbosa procura uma companheira de casa que afinal é uma psicopata assassina. Estou a mesmo a precisar de alguma emoção na minha vida - pensei eu.
O processo de selecção era super exigente. No meu anúncio de aluguer dizia tudo: Procuro companheiro de casa, feio, baixo, gordo, de preferência com óculos de massa e se coxear tanto melhor. Se fores gaja precisas de ter pelo menos 1 litro de silicone em cada teta e dois litros no rabo, que eu desde que vejo a casa dos segredos passei a ser mais exigente. Para ambos os sexos é requisito fundamental ser-se podre de rico.
Para grande espanto meu, recebi umas quinhentas chamadas telefónicas, todas por volta das 9 da manhã, pelo que atendi pouco mais de três.
E aí está: o meu novo companheiro de casa corresponde exactamente à definição. Falta apenas saber se tem algum parafuso a menos.
Aguardem novos capítulos.

terça-feira, outubro 11, 2011

Meo Deus

Descobri que suspender um serviço Meo é tarefa para o Hércules. Pode uma pessoa pensar que basta ligar para a linha de apoio, pedir delicadamente para a suspensão do serviço e ir à sua vidinha. Não, a PT vai fazer-vos sofrer.

Eis a minha história dramática...
Passo número 1: Descobrir porque é que minha internet é tão lenta.
Robene (após uns dez minutos à espera, acompanhado de uma musiquinha melodramática): A minha Net anda lenta. Porquê? Responda rápido que estou sem saldo!
Operadora: Blá blá blá....cabos para aqui, cabos para ali....blá blá blá...
Robene: Está a mesma merda!
Operadora: Blá blá blá...blá blá blá...*** Bip bip bip

Foda-se caiu a chamada. Vou ter de carregar o telemóvel para falar com estes cabrões. E arrota com 20 euros no telemóvel.

Passo número 2: descobrir porque é que minha net é tão lenta, segunda tentativa:
Robene - Musiquinha de espera - Robene a ver o seu saldo a ser comido.
Robene: Pelo amor de Deus minha senhora, seja despachada e veja-me porque é que não tenho net rápida!
Operadora: blá blá blá...o senhor veja se isto funciona...blá blá blá...
Robene: Hum...continua na mesma.
Operadora: O senhor só tem net de 11 Megas.
Robene: Mas quê? Agora?
Operadora: Não, sempre!
Robene: Mas eu pago net de 24 Megas!!
Operadora: cof..cof..cof...blá blá blá...voz fininha...

Passo número 3: Ligar para o apoio ao cliente, enxovalhar o idiota que me atender e pedir suspensão do serviço e todo o dinheiro que me andaram a papar.
Robene - musiquinha ligeira - musiquinha ligeira - Saldo quase a acabar.
Operador: Blá blá blá...que se passa?...blá blá blá...
Robene: Meus grandes filhos da puta, ladrões, cabrões...(mais uns minutos de palavreado fino)
Operador: Blá blá blá...nao quer aderir à fibra?...blá blá blá...já lhe disse que tenho um cão novo?...blá blá blá...vamos dar-lhe um mês para compensar...
Robene: quero lá saber da sua vida eu quero é cortar o serviço!
Operador:blá blá blá...blá blá...***Bip bip bip

Cabrões do caralho! Quero cortar o serviço então devem tentar sacar-me o dinheiro todo com a chamada telefónica só pode! 'Bota a carregar a merda do telemóvel novamente.

Passo número 4: repetir o passo número 3, mas desta vez tentar simular um AVC para que tudo seja mais rápido
Robene-musiquinha de ir ao pito
Robene: Meus filhos da puta, eu quero cortar a vossa merda de serviço.
Operador: Pode explicar-me o que se passa?
Robene: Olhe pergunte aí ao seu colega de lado, De certeza que já devo ter falado com todo o departamento.
Operador: Um momento...
Robene-musiquinha de fazer cócegas na pachacha-saldo a ser comido à velocidade da luz
Operador: Oferecemos-lhe um mês de graça e blá blá blá...uma mamada personalizada, deepthroat...blá blá blá....
Robene: Ouça lá, eu só quero saber como se corta esta merda de serviço!
Operador: Mande uma carta assinada e blá blá blá...um fax digitalizado com fotografia actualizada a fazer o pino...blá blá blá...ou pode simplesmente ir (e porque não disse isto logo) a uma loja PT.

(10 minutos depois, loja PT)
Robene a fazer grande escarcéu: Eu quero cortar o meu serviço PT.
Empregada: Posso saber porquê senhor Robene?
Robene: Olhe minha senhora, é para sustentar o meu vício de droga.
Empregada (olhar suspeito): Um momento...
(passam 10 minutos, eu bufo por todo o lado, ando aos círculos e atiro com uma prateleira ao chão)
Empregada: Senhor Robene, pode só vir aqui ao telefone?
Robene: Não, não posso. Sou surdo do ouvido direito e tenho uma ferida no esquerdo. Cancele-me esta merda, pelo amor de Deus!
(5 minutos depois está cancelado)



(Pensava eu....)

Dia a seguir, 9 da manhã. Toca o telefone...
Robene: Estou caralho?
Operadora: Senhor Robene, fala do serviço de retenção da MEO...Gostava de lhe falar das nossas propostas e se o senhor....
Robene: Com licença, que eu sou um gajo educado.
bip....bip.....bip.....bip.....


E já mudei para Zon!

segunda-feira, setembro 12, 2011

Checkpoint

Poderão vocês pensar que a parte mais stressante da minha viagem a Barcelona foi a apresentação no Congresso. Mas não foi. A parte mais stressante foi mesmo embarcar no avião.
É que eu viajei na RyanAir.
Embarcar num avião é já de si uma experiência traumatizante: temos de passar pelos controlos de segurança, onde uns polícias com uns raios x nos vasculham as malas. Tenho sempre medo de levar alguma coisa proibida e extremamente perigosa tipo uma sandes de fiambre ou desodorizante (Alguém que me explique como é que eu fabrico uma bomba a partir de uma lata de AXE de 150 ml e um garrafa de 150 ml de líquido Ciba para lentes de contacto hidrófilas).
Mas esta é a parte fácil.
Depois vem o embarque propriamente dito.
A RyanAir é uma companhia low cost. Não há lugares marcados no avião e só se pode levar uma pequena bagagem de mão que tem de obedecer a escrupulosas medidas (tipo 20 cm por 50 cm). Conseguir meter dois pares de calças e duas t-shirts numa mala do tamanho de uma folha A4 foi tarefa hercúlea.
Fui bastante cedo para o embarque. Como não há lugares marcados tinha de estar na linha da frente para correr para o avião e conseguir um lugar jeitoso e lugar para a minha mala. Para além disso gosto sempre de ficar na coxia para poder comprar aquelas raspadinhas maravilhosas que eles vendem a bordo. Quando o sinal de embarque apareceu, milhares de pessoas correram para a gate, incluindo eu, que mandei duas cotoveladas e vários pontapés para ser um dos primeiros a correr desvairado para o avião. Como além da mala de roupa minúscula levava também o poster comigo estava cheio de medo que não fosse passar na inspecção nazi de que somos alvo antes de embarcar. Meti o meu melhor sorriso mas os receios foram confirmados: tive de arrotar com 40 euros por levar uma mala extra. Para a próxima dobro a merda do poster e enfio-o na mala. Ou no cú, e mesmo assim acho que eles iam descobrir que levava alguma coisa extra.
Quando finalmente nos dão ordem para embarcar, uma multidão de gente corre para o avião. Uma mulher com ar franzino fica ao meu lado. Parece desconfortável e chama o hospedeiro de bordo.
Mulher: Eu sou claustrofóbica!!!
Hospedeiro: Hum...
Mulher: Pelo amor de Deus, eu tenho pânico!!!
Hospedeiro: Hum...
Mulher (já meio histérica): E se me der um ataque de pânico??! Quais são os procedimentos que têem?
Hospedeiro: Minha senhora, se tiver um ataque de pânico dou-lhe um chapadão para a adormecer, e outro para a acordar.

And that's what you get when you fly low cost.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Amigos para siempre

Vou a Barcelon apresentar um poster num congresso. Fosse o congresso em Varsóvia ou em Tallin ou numa dessas cidades deslavadas em que Setembro se assemelha a um mês de Janeiro em Portugal. Mas não, tinha de ser em Barcelona, onde estão alguns 30 graus à sombra.
Inspecciono detalhadamente o programa do congresso e apercebo-me que em três dia, tenho de estar no mínimo uma hora por dia no congresso. Vou seguir à risca este mínimo: levo um cronómetro e quando soar o último segundo para os 60 minutos meto-me a caminho da Sagrada Família. Ou das Ramblas, onde parece que se passa a acção toda.
O tema do meu poster centra-se na representação gráfica de terapia electroconvulsiva no cinema.
Durante um mês andei a ver cerca de 30 filmes para a minha pesquisa, e fui pago para isso. Não esperem portanto uma merda que mudará o futuro da ciência. Ainda assim parece que deu muito trabalho a fazer (mentira) e consegui dissertar umas 15 páginas sobre filmes de 1948. E surpresa: parece que ficou tão bom que vai ser publicado internacionalmente.
A minha vida está a correr tão bem que estou assustado.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Land Rover Vs Toyota Yaris

O meu Yaris fofinho está no mecânico. Várias enfermidades assolaram o meu carrinho azul cueca: primeiro, a meio da auto estrada, a luz do óleo começou a bombar. Depois de 3 horas no corredor de óleos do continente (óleos de carro, entenda-se), opto pelo mais barato.
O Yaris não deve ter ficado muito contente com a escolha, porque começou nesse dia a pingar óleo.
De seguida um prego espeta-se no pneu. E dia 31 é dia de inspecção. Estas coisas acontecem sempre nas alturas certas.
Vai daí, deixo o Yaris no mecânico e fico com o carro do meu pai: Um jeepaço Land Rover.
Garanto que este Rover é maior que o meu quarto. Estou tentado a montar uma pequena cama, colocar cortinas e mudar-me para lá.
Mas as diferenças não se ficam por aqui: Um Land Rover é másculo. Ao contrário do apaneleirado Yaris, o Rover garante ao público feminino que eu sei dominar a máquina (ainda que tenha de encontrar pelo menos 90 metros quadrados para estacionar).
O que me leva à história do dia. São mais ou menos 11 horas da noite, e decido ir comprar tabaco ás bombas. No meu carrão gigante sigo altivo pela estrada. Estaciono mesmo em frente ás bombas para que toda a gente veja o tamanho do bólide. Saio com um ar confiante, cabelo desgrenhado mas sexy, camisa semi abotoada. Todo eu respiro um ar macho: pisco os olhos ás miúdas da fila que se riem, finjo-me desinteressado na mamalhuda que está a atender.
E volto de novo ao carro.
E o volante está trancado.
No meu Yaris a técnica de destrancar o volante é bastante simples, mas por mais que a aplique nesta merda de monstro com rodas não funciona. Começo a ficar nervoso. As pessoas das bombas começam a desconfiar...Para disfarçar, faço de conta que estou a falar ao telemóvel, enquanto mando murros no volante com os joelhos. Passam-se já dez minutos, e eu já suo por todos os lados, e atrás de mim está alguém a apitar para eu tirar o carro dali. As miúdas da bomba estão já com sorrisinhos, que desconfio sejam de gozo. Em desespero estou quase a sair do bólide e ir pedir ajuda, quando por milagre o volante destranca...e o alarme começa a soar.
Sim, tive de ligar ao meu pai a perguntar como é que se cala a merda do alarme. Sim, foi uma sessão de riso nas bombas. Sim, o meu ego está neste momento algures abaixo da sarjeta.
Sim, tenho saudades do meu Yaris.

sábado, agosto 20, 2011

E que merda é um Passe-partout?

Tirar fotografias tipo passe é algo que causa stresse nas pessoas, não tenho a menor dúvida.
Não nos podemos esquecer que estas são as fotos que vão ser mostradas nas mesas de cafés a todos os amigos, quando a inevitável conversa de «deixa-me ver a tua foto de BI!!» começar. De um momento para o outro todos sacam da carteira de documentos e começa um frenesim de BIs, cartas de condução e cartões do cidadão a rolar de mão em mão. Segue-se a inevitável risada colectiva quando nos apercebemos do quão parolos éramos há 5 anos atrás, com mullets e poupas que nos fazem saídos de alguma série de adolescentes circa 1995.
Por isso eu quero que em 2016, quando me virem a fronha no passaporte as pessoas exclamem de emoção: «Robene, já nesta altura eras o gajo mais atraente e estiloso em que pus as vistas em cima».
Todos os cuidados são poucos: na minha última foto de BI estava de ressaca, com uns óculos pretos fundo de garrafa e um decote na t-shirt que deixava antever os pêlos do peito. Quando for um gajo famoso não posso nunca deixar esta foto cair em mãos erradas.
Por isso desta vez penteei-me decentemente, coloquei as lentes de contacto e vesti uma camisa.
Resta-me dizer que por muito que treine olhares no espelho de casa, acabo sempre com um ar de quem acabou de ser sodomizado a frio por um cabo verdiano. Desta vez não foi excepção. Por muito que o gajo insiste: «Olhos abertos!», «olha para o lado esquerdo!», «Ri-te um bocado!», acabei com uma foto em que pareço o Tom Yorke por alturas do Creep: um olho mais aberto que o outro, metade do colarinho da camisa dobrado para dentro, lábios semi cerrados como se fosse escarrar a seguir.

Estou já a comprar o photoshop online.

sexta-feira, agosto 19, 2011

É desta que fico rico

Aparentemente a Google acha que o meu blogue tem tantas visitas que decidiu convidar-me a meter anúncios.
Primeiro não achei muita piada, depois vi que por cada clique ganhava dinheiro.

terça-feira, agosto 16, 2011

Congestão

Estas férias têm sido, ao contrário das do ano passado, bastante calmas.
Primeiro porque não há auto-caravanas envolvidas. Segundo porque não há dinheiro.
E assim ruma-se para a casa de férias dos pais, algures numa praia aveirense com águas gélidas de 2º C e muitos franciús ávidos de me verem os recém esculpidos abdominais.
Mas voltar ao seio dos papás, não é só maravilhas.
O meu pai é o cota que todos queriam. Estas férias ainda nem lhe pus as vistas em cima, visto que continua na terrinha a cuidar dos cães e da horta. Estar com os filhos portanto apenas nos intervalos de 5 minutos entre dar de comer ao Farrusco e ao Black e regar as couves.
A minha mãe é a mãe mais amorosa de todo o sempre.
Segue-se um pequeno diálogo de fim de semana.

Robene (após um fausto jantar de feijoada e duas talhadas de melancia): Bem, vou tomar banho.
Mãe do Robene: Vais quê? Ah isso é que não vais!! Dá-te uma congestão!!!
Robene: Mãe, congestões só dão...
Mãe: O filho da vizinha foram dar com ele de olhos arremelgados, porque foi tomar banho depois de comer uma sandes de leitão!! Pobre rapaz, estava a tirar Fisioterapia e...
Robene: Mãe, só se eles não tivessem água quente em casa porque...
Mãe: E o teu tio? Uma vez foi tomar banho depois de beber uma cerveja fresquinha e olha, esteve mais para lá que para cá, tivémos de chamar os bombeiros, foi um susto que a tua tia...
Robene: Mãe, concentra-te, não há problema nenhum...
Mãe: E já me estava a esquecer do teu antigo professor de Química, que foi tomar banho depois de uma sardinhada, e deu-lhe o badagaio, até bateu com a cabeça na borda da banheira e a tua prima diz que o foram encontrar ainda com um bocado de sardinha a sair da boca.
Robene: Pronto, eu tomo banho amanhã, em jejum!!

E eis o porquê de eu nunca na minha vida perspectivar um regresso a casa dos meus pais.



quarta-feira, agosto 03, 2011

PT

Após anos a ir ao ginásio por minha conta, constatei uma coisa: Eu não tenho motivação pessoal.
A minha jornada tri-semanal de uma hora pelo ginásio consistia em longas sonecas nos tapetes de abdominais (verdade), passeatas pelos balneários femininos (verdade) e a simulação de grunhidos que fizessem os outros pensar que eu estava a levantar bastante carga, quando na verdade estava com uns 5 kg na máquina (Mentira. Muitas vezes nem punha carga nenhuma).
Findo o chamado treino, ia alegre e sem uma gotinha de suor no sovaco comer um Big Mac, como recompensa pelo esforço árduo de ter encontrado estacionamento ao pé do ginásio ( que era a maior estafa do dia).

Tomado por uma vontade irresistível de quebrar a monotonia (leia-se, as calças começaram a não me servir) e como a lipoaspiração não invasiva ainda é cara como o caralho e eu tenho vergonha de ir fazê-la, dei o último passo possível : Tenho um Personal Trainer (doravante conhecido como PT).

O meu PT parece um animal. Creio que é capaz de matar pessoas com o seu esternocleidomastoideio desenvolvido, músculo que eu nem sabia ter no meu organismo (é no pescoço).
O esquema de treino é bastante peculiar: existem uns 5 exercícios diferentes, e cada um faz-se durante um minuto.
Ao fim do primeiro circuito pensei que aquilo era uma brincadeira de crianças, ao fim do quinto circuito pedia para me darem chapadas na cara (de preferência não dadas pelo PT) para me asegurar de que ainda estava vivo.
O rapaz ao meu lado vomitou ao fim do 6º circuito (verdade), ao que o PT exclamou: Assim é que é! Vê-se que foste até ao limite e tem de ser assim. Eu pensei ainda em borrar-me ou mijar-me todo só para acabar com aquele inferno, mas creio que nem para isso tinha força.

Qando o treino terminou eu estava zonzo, não sentia as mãos, tinhas marcas de suor a saírem-me do rabo e a molharem-me os calções e não conseguia falar. Demorei cerca de três horas para recuperar o folêgo e outras 2 a arranjar forças para destravar o carro.

Amanhã vou ligar para a clínica do tempo e perguntar se a lipoaspiração tem desconto de estudante.

quarta-feira, julho 20, 2011

Medo

Gostava muito de ir ver National e Interpol ao Sudoeste, mas confesso...estou borrado de medo de ser assaltado pelos fãs de Snoop Dogg, violado pelos fãs de Kanye West e atropelado por carros de tuning de fãs do David Guetta.

Super Bock, Super Pó

Ah, o Super Bock Super Rock.
Passaram-se já dois dias desde o fim de semana de concertos, e descobri hoje que ainda tinha restos de pó presos nos pelos do cú.
Nunca na minha vida vi tamanha confusão. E já estive numa discoteca gay a ouvir Lady Gaga.
Eram filas para tudo e mais alguma coisa. Comi pó aos quilos e não foi do branco.
No primeiro dia, só consegui sair de Coimbra pelas 7 da tarde. Por volta das onze ainda estávamos numa fila de trânsito com o concerto de Beirut a decorrer. Numa fúria pouco usual, abalámos do carro e desatamos a correr pela rua, frenéticos, para ainda vermos pelo menos metade do concerto.
Foi uma triste visão: 3 indíviduos perto dos 30 anos, a correr por uma estrada escura, desorientados e já bastante suados, com o pessoal dos carros e gritar coisas como: Run Forrest Run, ou Mexam esse cú badochas. Após o que me pareceu 3 horas de corrida (foram 10 minutos), ainda apanhámos Beirut a meio.

Mais pontos altos do festival:

1- Aquela merda era só espanhóis. Os Espanhóis na verdade não vão ver concertos. Vão socializar para os concertos, gritar bastante alto, e apalpar cús. Durante o concerto de Portishead houve até um espanhol que mijou para cima do casal homossexual que estava à minha frente e que se fartava de dar altos linguados durante a Roads. Por momentos aquilo parecia um filme porno gay com um golden shower pelo meio. Voltei a mim no concerto de Arcade Fire, para o qual não há nem haverá palavras possiveis para descrever. Ainda estou arrepiado de emoção.

2-A gaja dos Gift é altamente irritante.

3-Durante o concerto de Brandon Flowers parece-me que a população feminina deve ter tido vários orgasmos. A própria S., amiga de longa data a quem reconheço um certo nível de educação admitiu : «Este gajo podia-me fazer um filho», enquanto lambia os lábios e tirava umas 300 fotos com o zoom no máximo.

4- A gaja dos Gift é altamente irritante.

5- O Slash não tem um sixpack. Tem um onepack. E várias plásticas no focinho.

6- A gaja dos Gift é altamente irritante.

7- A S. apanhou uma intoxicação alimentar depois de duas horas na fila para comer um kebab que tinha uma molhenga verde a escorrer. A N. teve um ataque de diarreia explosiva no concerto de Strokes, mas aguentou-se estóicamente e até se abanou um bocado ao som do Whatever happened. De qualquer maneira se quisesse disfrutar de uma das 5 tói-tóis disponíveis no recinto, demoraria umas 3 horas a furar a multidão.

8- A gaja dos Gift é altamente irritante.

sábado, julho 09, 2011

Ajudem a língua do Robene

Caríssimos, tenho-vos a comunicar que os meus sisos já não se encontram dentro da minha boca.
Isso mesmo, fui finalmente operado!
E agora pensam vocês: «Ai que bom, tudo correu bem, ainda bem que o Robene manteve intacto aquele sorriso de modelo da Armani e a estrutura óssea de outro qualquer modelo paneleiro (mas famoso)
ERRADO.
Eu tenho de ter coisas para vir para aqui queixar-me. E para vocês lerem.
Lá estou eu na consulta pré operatória com o meu cirurgião (curiosamente tem uns dentes de merda, mas toda a gente me assegura que é o topo. Mesmo assim sinto-me uma gorda de 200 kg que vai a um nutricionista que pesa 180 kg).

Cirurgião: Robene, pá, quais as tuas principais preocupações?
Robene: Tenho de estar bom pelo menos dia 14 de Julho.
Cirurgião: Algum congresso?
Robene: Não. É o Super Bock Super Rock.


Risada aqui, risada ali e finalmente chega o dia da operação.
Estou borrado de medo, mas nem tenho tempo para pensar nisso, uma vez que me estão a tirar as calças de pijama na mesa de operações deixando-me completamente nú (para me tirarem os sisos têm de me despir por completo? Bem, já ouvi desculpas piores para me verem o mangalho). Depois disso só me lembro de acordar super bem disposto a rir-me imenso e com uma ideia fabulosa de fazer um colar com os 4 dentes que me tiraram. Mas aparentemente foram todos para o lixo.
Não tinha muitas dores, nem sequer estava muito inchado. No entanto a parte direita da minha língua estava completamente dormente.
Estava...e ESTÁ!
Faz hoje quase duas semanas que fui operado. Aparentemente tenho aquilo que se chama parestesia por lesão do nervo lingual. Embora Parestesia pareça um nome muito cool de uma música de Bjork, não é nada cool de se ter.
A ver:

-A comer trinco a língua. Como a tenho dormente não sinto nada. No outro dia estava a mastigar alegremente uma banana ao mesmo tempo que devorava metade da parte direita da língua. Felizmente as esguichadas de sangue que caíram no prato alertaram-me que alguma coisa não estava bem.

-Não tenho sabor. Comer um Big Mac ou um pedaço de cartão que fui buscar ao lixo sabe-me ao mesmo. Nunca estive em tão boa forma na minha vida.

-Não tenho sensibilidade a quente ou frio. No outro dia estava a beber um café a alguns 500º C e só depois de ter escaldado o esófago inteiro é que me apercebi do facto.

-Passei a ter uma deficiência de fala. Neste momento pareço um apresentador da SIC Radical a fazer a cobertura do Optimus Alive: Ninguém percebe um caralho do que digo.

-As minhas habilidades para o minete melhoraram substancialmente. Primeiro porque não tenho sabor. Depois porque a língua nunca se cansa.

-Há dias em que só tenho a língua dormente. Outros dias em que parece que está queimada. Outros em que seguramente pareço ter andado a lamber baterias de 2000 volts.

- Esta merda pode durar duas semanas a passar. Ou um ano.

Por isso será muito mais fácil identificarem-me no SBSR este ano. Serei não só o gajo a beber vinho tinto a copo, como o gajo que baba vinho tinto para a camisa.