quinta-feira, fevereiro 03, 2011

O vigia

Ontem fui vigiar um exame. Sim, um exame. Da Faculdade.
Surpreendidos? Então imaginem os alunos quando me viram entrar pela sala adentro a distribuir exames. Metade deles lembra-se de me ver a fazer figuras tristes na noite. A outra metade tentou ser engatada por mim.
Adiante... Ali estou eu, figura por demais autoritária, a mandar esconder telemóveis e a contar cabeças para distribuir exames.
Quando a tarefa acaba, sento-me na mesa do auditório e começo a ler um livro. Imediatamente toda a estudantada começa num frenesim a falar uns com os outros.
Eu grito um: CALOU!
Aviso desde já que gritar um calou para um auditório de alunos do quarto ano não é boa ideia. Tivesse antes gritado um: Não Falem! ou um Façam menos barulho! ou até um Não copiem! Gritar um Calou é simplesmente labrego, erro de principiante.
Depois do grito, os alunos olharam-me de esguelha e ouvi algumas risadas. Estava prestes a ser posta em causa a minha autoridade.
Fechei o livro e olhei o resto do tempo para eles. Muitos deles olhavam também para mim, creio até que reconheci uma ou outra cara da discoteca da noite anterior, onde estive a dançar kuduro e a fazer palhaçadas com o M. e a T. que incluíram uma simulação de sexo e várias coreografias do tempo da Macarena.
As velhas técnicas do copianço (muitas inventadas por mim) estavam todas lá: meter o exame de lado, levantar o exame simulando uma cara de concentração, cabeças baixas a olhar para o meio das pernas, linguagem gestual para o colega do lado.
A meio do exame tive de gritar para uma aluna: Ó menina, daqui a pouco está a fazer o exame deitada, tal era o estado de contorção do miúda.
O resto incluiu telemóveis a tocar no meio do exame, dúvidas que não soube responder e olhares lânguidos de alunas da primeira fila.

Saí de lá com a clara noção que foi um fartote de copiar. Os alunos de certeza que me adoraram.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Fato de treino

No outro dia estava a ver um episódio de How I met your mother na Fox Life. Uma das personagens, o Marshal, ficou desempregado e então vagueava por casa sem nada para fazer, vestido apenas com uns boxers e tshirt.

Rio-me bastante da situação, e depois olhos para mim.

Desde que descobri que basicamente posso fazer todo o meu trabalho a partir de casa, não tenho feito mais nada senão andar de fato de treino. Tento lembrar-me da última vez que me vesti decentemente...e não me consigo lembrar.

Sim, tornei-me uma dessas pessoas que vai comprar ovos e bifes de perú ao Pingo Doce de fato de treino. Sim, no outro dia fui de fato de treino ao shopping comprar uns tinteiros para a impressora.

Sou dono neste momento de 5 calças diferentes desse tecido fofinho e confortável a que chamam de fato de treino.

Pior...Já não me penteio há seguramente 2 semanas, tenho preguiça de usar lentes de contacto pelo que voltei a andar com os meus óculos à lá Harry Potter, e ando a cozinhar bolos quase todos os dias na Bimby, os quais devoro em menos de dez minutos enquanto leio um artigo sobre a vida nos asilos.

Ou muito me engano, ou quando tiver uma apresentação não vou ter calças que me sirvam...a não ser calças de fato de treino.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Xarope Update. Nada de muito engraçado...

Pessoal amigo, que me acompanha aí desse lado:

Primeiro: 100 mil visitas! Até tenho de escrever por extenso que nem sei quantos zeros cem mil leva. Obrigado!!
Segundo: Obrigado pelo apoio no Facebook! Quem criou aquilo tem um lugarzinho no céu, entre o Carlos Castro e a Princesa Diana.
Terceiro: Parece que andam a circular aí uns post meus pelos mails de muita malta. Identifiquem a fonte por favor! Nunca se sabe quando chega ao mail de algum editor!

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Apocalipse Please

Milhares de peixes e pássaros mortos sem explicação. Tornados em Tomar e na Figueira da Foz. O Carlos Castro andava a comer um miúdo de 21 anos que por sua vez o matou e cortou-lhe os tomates.

Hoje no meio da fruta e legumes que a minha mãe me mandou, encontrei uma Bíblia.
Quando lhe telefonei a perguntar que raio era aquilo, ela explicou-me que o fim do mundo está próximo.

sábado, janeiro 08, 2011

Ya ba da Badoo!

Ontem à tarde, estava em casa com a G.
Eu a ler uns artigos complicadíssimos, ela a ler a Caras.
A G. é uma amiga de longa data. Uma miúda impecável: arrota sonoramente, diz caralho e foda-se entre cada duas palavras e precisa de uma casa de banho de dez em dez minutos. Uma lady portanto.
Obviamente que a tarde estava a ser calma demais...
G.: Robene, tenho uma ideia!
Robene: Hum?
G.:Vamos criar um perfil fictício no Badoo!
Robene: Badoo? Que é isso?
G.: Um site de encontros para as pessoas que são demasiado feias e não conseguem encontrar sexo da forma que as pessoas normais fazem: através de amigos de amigos.
Robene: Hum...Ok!

E em menos de 10 minutos tínhamos dois perfis criados: O João, cuja foto de cara foi tirada do Google Images (após uma inspecção detalhada descobrimos que é um designer informático de Ovar) e a Filipa, uma morena tesuda, cuja imagem nos surgiu no Google Images após pesquisarmos com as palavras Ana e Boazuda.
Os dois sedentos de sexo, como é óbvio.
Sim, é verdade. Criar uma identidade falsa e destruir o ambiente familiar de alguém é assim tão fácil, mas ninguém os manda meter as fotos no Facebook, ficando acessíveis a qualquer um sem ética pessoal (Robene e amiga).
O dito Badoo é em si um site de chorar a rir.
Há milhares de perfis, mas destaco os seguintes:
-O do Armando, que procura garota entre os 18 e os 25 e que ostenta uma enorme aliança de casamento no dedo.
-O do José, que escolheu como foto de perfil ele próprio...empunhando uma motosserra. Sim, é isso mesmo. O José pensa que vai atrair mulheres, mostrando como sabe manejar uma motosserra.
-O da Susana. Que procura um homem até aos 35. E está grávida de 8 meses. O sonho de qualquer gajo, portanto.
-O de vários homens que tiram fotos...com os filhos. Incluindo com o filho na maternidade e a mãe ao lado.

Isto explica muito do porquê estas pessoas continuarem solteiras.

Deste interessante estudo sociológico conclui-se ainda outra coisa. Em meia hora a Filipa tinha a caixa de mensagens entupida, com pérolas como : «Oi morenita, nem sabes o que fazia contigo». O João tinha duas mensagens...de outros homens.
Não creio que hajam mulheres verdadeiras no Badoo. Excepto a Susana. Mas essa anda à procura de pai para o filho.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Underground

Hoje peguei em alguns livros da Biblioteca da UC e fui ao centro de cópias ao lado de minha casa.
Cheguei lá, aquilo cheio de gente, e eu viro-me para a empregada e digo: «queria que me fotocopiasse estes livros».
A empregada olha com ar chocado para mim. Pelo menos mais três dezenas de olhos estão colados em mim. Discretamente tento ver se apertei a braguilha ou se a minha camisola não tem nódoas. Parece-me tudo bem. A empregada limita-se a apontar para um anúncio na parede que diz: Não se fotocopiam livros, nem partes de livros.
Meio abananado, saio e dirijo-me a outro centro de cópias.
A conversa é a mesma. Sou olhado como se fosse um criminoso e tivesse acabado de violar algum petiz que tivesse saído da primária.
Vou ao terceiro centro de cópias, já com suores frios. A medo pergunto: «Fotocopiam livros? »
O senhor responde-me que não. Ao que parece, fotocopiar livros é ilegal! Acaba a conversa com um: »e esses até têm o selo da biblioteca da UC onde é que já se viu? Sabe que pode ser multado
Sinto-me como o Carlos Cruz no caso Casa Pia. Obviamente culpado, mas sempre pensei que toda a gente fazia o mesmo.
Desesperado telefono a um amigo bolseiro que me dá uma morada.
Este centro de cópias fica numa cave. Para lá chegar tive de perguntar a vários arrumnadores de carros e prostitutas, sendo que nenhum deles sabia a exacta localização do dito centro, mas já tinham ouvido falar dele.
Quando finalmente dou com ele, atende-me uma velha com uma verruga. Olho em volta. Tudo é velho e sujo, vislumbro bolor e humidade em todos os cantos e eu penso que me vão drogar e roubar um rim.
Quase borrado pergunto: «Tiram fotocópias de livros
Velha da verruga: «Para quando quer?»

Eu vou é cagar no doutoramento e começar um negócio underground de cópias de livros. Está mais que visto que vou ganhar mais e ter menos trabalho.
Entretanto rezo para que os meus livros saiam intactos da experiência.

domingo, dezembro 26, 2010

Notas Soltas

Notas soltas do meu Natal...



- Cheguei a casa e encontrei uma caixinha muito jeitosa de chocolates. Imediatamente abri-a, papei pelo menos metade das trufas e voltei a fechar a caixa. De seguida a minha irmã ofereceu-a à melhor amiga.



- Por muito adulto que esteja, para a minha mãe estou sempre demasiado magro, demasiado mal vestido, demasiado calado e demasiado solteiro.



-Doces de Natal dão-me gases.

-Revi alguns amigos que já não via desde o Liceu. Estão quase todos casados, algumas já pariram rebentos e a maioria precisa de uma limpeza ao tártaro. Saí feliz e contente do café da terrinha.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Feliz Natal!

Quando era miúdo pedi ao meu pai no Natal um carro telecomandado da Niko.
No anúncio os Niko apareciam a saltar de varandas, aterravam no chão, davam piruetas e atropelavam gatos. Não sei como havia tecnologia na altura para fazer anúncios tão elaborados, mas a verdade é que eu espumava por um Niko.
Mas o meu pai só me comprou uma merda de um carrinho rabeta, em que o comando estava ligado por um fio ao carro, pelo que eu tinha de andar atrás da merda do chasso que ainda por cima se avariou passados dois dias.
Este ano, para que não hajam enganos, eis a minha lista de prendas. Toda a gente sabe a minha morada?

-Um iPhone. Não amigos, não é um HiPhone, nem um Myphone. É um iPhone, daqueles que custam 600 euros e têm várias aplicações que não servem para nada, mas que estou desejoso de mostrar na esplanada mais próxima, quando o vizinho de mesa sacar de um Nokia merdoso.

-Um novo portátil. No outro dia tive pela primeira vez a íncrivel sorte de me aparecer o écran azul com letras gigantes: FATAL ERROR. Mijei-me um pouco nas cuecas, uma vez que estava a escrever um artigo que não tinha salvo e que já devia ter pelo menos 10 páginas.

-Um disco duro com pelo menos 200 teratetracaralhobaites. Creio que a falha do meu portátil se deva ao conteúdo de vários giga de pornografia.

-Giga tem plural? Diz-se Gigas? Na verdade isto não é bem uma prenda, mas fico contente se alguém me elucidar. Vá contente não. Moderadamente bem disposto.

Ah, e um Natal bem passado a todos.
Não lhe dêem nas rabanadas, que essa merda vai toda para o pernil.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

E tu? Onde vais na passagem de ano?

Ah, a passagem de ano!
Odeio as passagens de ano. Desde Outubro que tenho de suportar a eterna pergunta: E este ano? Onde vais passar a passagem de ano?
Por mim passava-a a dormir, talvez com uma boa garrafa de vinho e quem sabe uma prostituta brasileira se até lá me cair o dinheiro da bolsa.
Mas não: Reparem, na passagem do ano temos de estar todos mega felizes, em grandes parties e acompanhados por pelo menos meio facebook. Senão somos por certo seres extremamente infelizes, feios e possivelmente condenados ao suicídio lá para meados de Fevereiro.

Nunca tive nenhuma passagem de ano verdadeiramente memorável.
Minto, houve um ano em que trabalhei nessa noite, e pensava que ia ter finalmente alguma paz e descanso na minha vida. Mas estava enganado.O L. com mais 3 amigos apareceram-me à meia noite na farmácia, sendo que uma amiga me vomitou a casa de banho toda e o L. explodiu com a garrafa de champanhe para o meio do tecto. Depois foram-se embora para a discoteca e eu passei a noite a limpar a farmácia.

Houve também um ano em que me diverti imenso. Andei a dar shots de vodka a toda a gente, enquanto eu bebia alegremente aguinha. Vi vómitos nesse dia que envergonhariam a miúda do exorcista. No final acabou toda a gente no bar gay do sítio, e há fotos que comprovam o M. a dançar descalço o I Will Survive, com lágrimas a caírem dos olhos.

Houve ainda um ano, anímadíssimo, onde fomos todos para uma mega party, e a S. atirou-se violentamente contra uma parede a dançar a Tortura da Shakira, sendo que partiu a cabeça. Imediatamente chamámos o 112. O INEM regressou duas horas depois para trazer a S. e levar o B. que tinha rachado a cabeça depois de ter caído de uma mesa de bilhar. Enquanto isto tudo decorria a Su. mastigava alegremente um pedaço de leitão na pista de dança, enquanto nós socorríamos os nossos amigos ensanguentados.

Este ano ainda não sei para onde vou. Falta-me dinheiro para acompanhar os meus amigos na sua viagem a Espanha para celebrarem 2011.
Espero que quando soarem as doze badaladas, e toda gente estiver com as passas na boca, se engasguem todos e não haja ninguém na sala que saiba aplicar a manobra de Heimlich.
Boas festas.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Toma lá duas lambiostinas

«Tribunal de Coimbra confirma que dar duas bofetadas à ex-mulher não é violência doméstica»
in Público

Hum, estou orgulhoso de morar em Coimbra.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Old Spice

Como é que sabemos que a época natalícia chegou? Basta ter em atenção que a cada dois anúncios televisivos um é de perfumes.
Eu sou suspeito. Durante anos não usei perfume. Sempre pensei que o cheiro que exala do meu corpo fosse o suficiente para meter o gaijedo em ponto caramelo. Até a minha ex me informar que eu cheirava a uma mistura de estábulo de cavalos com cigarros pelo meio.
A minha odisseia de encontrar um perfume perfeito durou anos! Parece que em contacto com a minha pele, os cheiros mais sublimes se transformam automaticamente em estrume.
Eventualmente, e após árduas pesquisas descobri um perfume minimamente decente. E depois descobri que só dava para usar no Inverno. Sim, porque parece que cheirar ao mesmo o ano todo é coisa de labrego.
Os anúncios a perfumes parecem-me na maioria algo inferiores à pornografia que vejo na net. Têm sempre uma gaja boazuda, semi despida, que anda pela sala a fazer olhinhos ao pessoal. Mas depois a cabra nunca concretiza nada, e acaba sempre só a falar ao ouvido de um paspalho qualquer (boss woman ou coisa que o valha), ou agarrada a um travesseiro depois de o marinheiro lhe ter dado a queca e ter bazado (gaultier woman, ou coisa que o valha).
Basicamente o que os anúncios a perfumes querem transmitir é: Vamos suas badalhocas, vocês sabem o que querem, tenham coragem de o admitir. Comprem-me e vão para festas engatar os amigos dos vossos maridos. Ou no máximo vão para um cais à espera de um marinheiro que não seja homossexual.

E sejamos francos: 60 euros por 30 ml de água com cheirinho?
Vou ali comprar o meu Old Spice.

segunda-feira, novembro 29, 2010

http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/Xarope-pa-tosse-os-fas/128389310544966?v=wall

Caríssimos parece que tenho uma página de fãs no Facebook.
Não, não fui eu que a fiz, e fico um bocado irritado de não ter tido esta ideia de auto-promoção descarada.
Para a(s) pessoa(s) que se deram ao trabalho de a fazer: Não têm mais nada para fazer na vida?
Ah...e Obrigado!

sábado, novembro 27, 2010

Kaiser Chiefs - Ruby




Há uns anos atrás, era eu um jovem maluco e andava aí na noite, saiu esta música dos Kaiser Chiefs.
Reparem que eu era um jovem muito popular, o top dos topes. E de repente criou-se um culto: De cada vez que a música passava na discoteca durante o refrão, era ouvir um coro de vozes: Robene, Robene, Robene, Robene!!! uãuãuãããããã!!!! ( Trocadilho com a Ruby do refrão, para os incultos musicais)
E o Robene ria-se enquanto um grupo de pessoas o levantava em braços, toda a gente gritava e era a loucura total. De seguida eu pagava uma rodada de copos a toda a gente, razão pela qual a Via Latina fechou depois de eu deixar de lá ir.
Ora ontem, estava eu no mui badalado Noites Longas, e que música passa? Ah pois é!
Viro-me para o M. e grito: M. é a minha música!
E o M. fica histérico, começamos numa orgia de passos de dança, preparados para a loucura que ia ser o refrão. E chega o refrão e...eu e o M. gritamos a plenos pulmões: ROBENE, ROBENE, ROBENE, ROBENE!!!UÃUÃUÃÃÃÃÃÃ...
E depois veio o segurança pedir para nos calarmos e nos comportarmos, enquanto uma multidão de gente olha para nós e pensa que estamos sob o efeito de ácidos.
Desde quando é que eu deixei de ser o rei da noite?

quinta-feira, novembro 25, 2010

A espiral da inércia

Ando sem inspiração nenhuma para escrever no blog.
Desde que me tornei bolseiro, os episódios caricatos da minha existência acabaram. E os quilos começaram a acumular-se perigosamente na zona que carinhosamente chamo de pegas do amor.
Não faço mais nada senão dormir. Depois levanto-me, rebolo até ao sofá onde vejo o «Agora é que conta», apresentado pela Fátima Lopes (sim, eu acordo tardíssimo), um programa destinado a pagar contas a pessoas caloteiras que aparentemente não têm dinheiro para pagar 50 euros de gasóleo mas têm uma Pandora no pulso. Segue-se uma nova sestinha, que o Robene fica muito cansado de esforçar a vista a ver a Fátima Lopes a arruinar a carreira.
Posso, em dias de extrema energia, ler um ou dois artigos. Na loucura até ligo ao meu orientador onde faço de conta que já comprei a bibliografia toda que o homem me mandou ler. Na verdade ando a sacá-la pela net, e descobri que o google books é o meu site favorito a seguir ao youporn.
Voltei a viciar-me em dardos, portanto passo grande parte da noite como M., em campeonatos com velhos de bigode e que trazem as suas próprias setas em malinhas de couro.

Meu Deus, se me tivessem dito que isto é a vida de um bolseiro, não tinha demorado 4 anos a pedir o raio da bolsa.

domingo, novembro 14, 2010

Brasucas

No outro dia saí à rua e pensei que estava no Rio de Janeiro.
Não, Coimbra ainda é uma cidade segura sem gajas desnudadas a passear pela rua (excepto na primeira semana de Maio), mas esta merda está a ser totalmente controlada pelos brasucas.
No café atende-me um brasileiro. Na rua ouço só brasileiros. No Jumbo tenho atrás de mim na fila pelo menos uma favela inteira de brasileiros.
E depois apercebo-me da razão.
Vocês já alguma vez usaram uma cabine de telefone pública? Não, pois não?
Mas já repararam que cada vez que passam por uma cabine de telefone pública, invariavelmente têm lá um brasileiro a falar com a mãe, com o pai ou com a prima? Não há um único português que use um telefone público (pelo amor de Deus, todo o português tem no mínimo três telemóveis, e quem recebe o Rendimento Social de inserção até tem quatro!)

Conclusão: É a PT que está a importar os brasileiros para Portugal!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Bloc Party - Two More Years

Tenho saudades dos tempos do Silent Alarm. É, para mim, um dos melhores álbuns dos 00's. Depois os Bloc Party pegaram em sintetizadores e fizeram músicas boas para por a malta a alucinar com cogumelos. Sem precisarem de cogumelos.

Higiene(s)

Demoro bastante tempo a tomar banho. Quando me meto no duche é coisa para durar meia hora pelo menos.
Há todo este cabelo sedoso para lavar, esta cara linda para ser esfoliada, todo o material a ser bem higienizado. Se vivesse na Venezuela, estava portanto fodido.
Toda a gente sempre se exasperou com o tempo que passo na minha higiene corporal.
Amigos: Foda-se Robene que a gente somos bem educados, mas tu demoras tempo a tomar banho como o caralho.
Robene: Então? Tenho de esfregar bem a cabeça, as pernas...
P. (espécime masculino.): As pernas? Tu lavas as pernas?
Robene: Sim...
P. (espécime masculino altamente badalhoco): Eu só meto sabonete no peito. Depois deixo escorrer.

Ora por esta ordem de ideias, passo apenas a colocar gel de duche no pescoço, que depois ele corre livremente corpo abaixo, lavando a sovaqueira no caminho.

E ainda me perguntam porque é que demoro tanto tempo no duche...

quinta-feira, novembro 04, 2010

Sebastião, o Bonsai com prazo de validade


Há muitos muitos anos atrás, ainda o Claúdio Ramos era casado com uma mulher e 2 pessoas em Portugal acreditavam que ele era heterossexual, eu e o pessoal com quem vivia decidimos que queríamos ter um animal de estimação.


Durante pelo menos 2 semanas, o M. quis comprar um furão. Tínhamos visto um filme qualquer com o Ben Stiller numa noite de bebedeira do sono, em que havia um furão lá pelo meio e ele achou imensa piada. Entretanto alguém nos disse que os furões eram bastante perigosos e que arrancavam olhos com as dentuças, pelo que eu já me imaginava trancado no quarto, agarrado a uma faca à espera da hora em que um furão em fúria me entrasse pela porta para me reclamar o escalpe.



Decidimos então comprar um rato. Decidimos não, o M. chegou a casa com o rato. Ou melhor, a rata. Chamava-se Pringles e era a coisa mais estúpida de que tenho memória. Passava o tempo enfiada na casota e corria na sua rodinha mal oleada durante a noite toda, não deixando ninguém dormir. Mordia as mãos de toda a gente e quando estava com o cio, coisa que parecia que estava a toda a hora, atirava-se violentamente contra a gaiola.



A existência da Pringles não foi feliz e eventualmente acabou graças a um triste acidente de que não há memória (o L. pegou na rata, deixou-a cair no chão, a rata começou a sangrar do nariz, metemo-la novamente na gaiola e fizemos como se não tivesse acontecido nada. No dia a seguir, a Pringles estava morta, para surpresa de toda a gente.)



Resta-me dizer portanto que me ofereceram um Bonsai, para alegria do mundo animal.



Parece que os Bonsais são as coisinhas mais paneleiras que existem no mundo. Tenho de o virar de duas em duas horas para apanhar sol em todas as folhas, regá-lo com a quantidade de água ideal (do Luso), falar com ele todos os dias e dar-lhe um nome.
Ninguém me informou desta trabalheira toda quando mo deram. Agora tenho de organizar a minha vida consoante o ciclo de vida do raio do Bonsai. Ainda por cima não combina em nada com a decoração da sala.



Aliás, lembro-me agora que quando morava com a malta, consegui matar os três bonsais que o M. tinha, através de excesso de fertilizante.



Dou-lhe mais uma semanita de vida.

terça-feira, novembro 02, 2010

Velas ao vento

O meu jantar de despedida da farmácia foi na quarta feira. Por entre choros incontroláveis (das minhas colegas), risadas cavernais (minhas), e eu a degustar o prato mais caro do restaurante, a minha chefe sacou de uma prenda.
Emocionado pego num embrulho.
Será que esta gaja ouviu as minhas lamúrias de dois meses a pedir um iPhone? Ou talvez as minhas indirectas por um iPod de última geração?
O embrulho parece ter exactamente o tamanho certo.
Abro-o devagarinho, lágrimas nos olhos. Se soubesse já me tinha despedido há mais tempo. Amanhã vou passar o dia a mexer no meu novo brinquedo hi-tech.
Mas não. Não é um iPhone. Não é um iPod. Não é sequer nada da Mac.
A prenda é: um CASTIÇAL!
Isso mesmo. Um castiçal.
Meio confuso levanto os olhos da prenda.
O que é isto? - Pergunto eu meio atordoado ainda.
É um castiçal, para pores uma vela. - Responde a mão de vaca.
Oh...-balbucio eu. E continuo a mastigar a picanha, preparado para enfiar com o castiçal nos cornos do primeiro empregado brasileiro que me aparecer na mesa e me perguntar se está tudo bom.
Chego a casa e o D. informa-me logo que aquilo é um castiçal dos chineses, e que eu agora posso é montar um pequeno altar à minha ex-chefe e rezar aos santinhos todos os dias.
Não me dou por vencido. Vou no dia a seguir ao sítio onde me compraram o cagalhão de prenda, ver se a troco nem que seja por um bibelô de um cão a fazer o pino.
Uma vez na loja a empregada informa-me que afinal o castiçal custou...80 Euros!
Após um momento de surpresa, em que rebolo os olhos de contentamento e danço o quebra nozes, saio de lá com um relógio novo no pulso da Fossil.
E nunca, mas nunca mais subestimo castiçais, serviços de mesa ou pratos da Vista Alegre que me possam dar.
Aliás, tenho uma santinha de Fátima aqui em casa que me deram no outro dia. Posso sair da ourivesaria com um Tommy Hilfiger no pulso.

terça-feira, outubro 19, 2010

Glee

Sendo cliente Meo consigo ter acesso a uma funcionalidade qualquer que dá para gravar qualquer programa. Como nunca sei a que horas posso ser chamado para fazer determinados serviços a jovens necessitadas, dá-me um jeitão poder gravar o «Rancho das coelhinhas». Eis senão quando no outro dia, descubro enfiados no meio da season 1 e 2 do referido programa episódios de Glee e de O.C..
Mas que merda é esta?, penso eu. Será que a minha nova empregada de limpeza tem uma tara por séries ranhosas para teenagers com dúvidas sexuais?
Não. Afinal quem me anda a gravar o Glee é o meu colega de casa.

Hoje vou dormir com uma rolha enfiada no rabo.