Julho de 1989:
O petiz Robene vai visitar uma obra que o pai está a construir. Está a brincar com uns fusíveis e uma rebarbadora Bosch quando de repente uma enorme aranha preta lhe aterra no focinho. O petiz Robene grita, esbraceja e dá pontapés. A aranha acaba esborrachada no chão. O petiz Robene acaba com as calças ensopadas em mijo.
Agosto 1998:
O adolescente Robene chega a casa e tem uma marca esquisita na perna. É meia roxa, está inchada e dói. «Devo andar a masturbar-me demais. A uns nascem pelos nas mãos e ficam cegos, a mim deve-me dar para isto», pensa o jovem Robene.
E nisto sai pela perneira das calças uma aranha gigante.
Setembro de 2003:
O jovem Robene vai à casa de banho. Repara que alguém deixou a janela aberta. Enquanto alivia as azeitonas, repara horrorizado que está uma aranha gigante um pouco por cima do autoclismo. Ao berros, e mijando literalmente a casa de banho toda, grita por socorro. A acudir o jovem Robene surge o colega de casa G. Meio borrado saca de uma sapatilha e tenta matar a aranha. A sapatilha acaba na sanita que ainda tem o mijo fresquinho do jovem Robene (não houve coragem de descarregar o autoclismo, a aranha estava mesmo em cima dele!). Os dois jovens gritam por socorro, até que surge o terceiro colega de casa, que finalmente mata o aracnídeo gigante. Desde então o terceiro colega de casa ganha a alcunha de Spiderman.
Maio de 2010:
O adulto Robene vai até à varanda fumar um cigarro. Está a pensar na vida e em como tem de comprar um disco externo para armazenar toda a pornografia que tem no computador. De repente sente qualquer coisa a cair-lhe na cara. É uma aranha nojenta. É castanha e Deus castigue este narrador se estiver a mentir, mas tem ventosas em todas as patas e consegue saltar! É uma aranha castanha com ventosas que pula. O adulto Robene berra como berrou o petiz Robene em 1989. Como uma menina, portanto. Começa uma dança epiléptica que consiste no adulto Robene a tentar esborrachar a aranha. Mas o raio do bicho salta e corre muito rápido. Derrotado, o adulto Robene refugia-se em casa, tranca a janela, tira a roupa toda para se certificar que não tem nenhuma aranha enfiada nas cuecas e a tremer enfarda um Xanax pela goela.
terça-feira, maio 25, 2010
segunda-feira, maio 24, 2010
Ainda ontem...
Na paragem de autocarro vejo um outdoor a publicitar uma noite dos anos 80 numa discoteca qualquer. A Olá decidiu ressuscitar os velhinhos Fizz e Rol. Descobri no outro dia no Jumbo cubos de Rubick à venda.
Ainda bem que não sou o único a sentir-me velho.
Ainda bem que não sou o único a sentir-me velho.
Segway

A convite do meu amigo B., guia turístico e ocasionalmente dançarino de kuduro, este fim de semana rumámos ao Porto.
A ideia era passarmos a noite no Porto, em bares glamourosos e recheados de gajas semi nuas.
Infelizmente o B. tinha comprado umas sapatilhas novas (roto) que lhe custaram os olhos da cara (roto) e às quais fez alergia (roto). Sim, há pessoas que fazem alergia a sapatilhas (os rotos). Assim, em vez de passarmos a noite a lançar olhares furtivos a loiraças decotadas, passámos a noite a correr para a farmácia de serviço a comprar anti histamínicos e gaze gorda para curar as chagas dos pés do B.
Felizmente para o dia de hoje o B. tinha as coisas melhor planeadas.
E eis-nos que passámos o dia inteiro a passear pelo Porto...de Segway!
Isso mesmo.
Segway.
A minha mãe pensava que Segway era uma bicicleta para deficientes. Por isso têm uma foto escarrapachada do dito dispositivo, para não haver confusões.
No ínicio parecíamos todos efectivamente uns deficientes, a tentar ganhar equilíbrio no dito cujo sem partirmos os dentes da frente.
Mas passados 10 minutos era ver-nos a acelerar Porto fora, cabelos ao vento, brisa na cara, crianças aos berros depois de lhes ter passado com o Segway por cima das perninhas.
Já agora e apenas a título de curiosidade (eheheh),o nome da empresa pioneira que introduziu este passeio de Segway pelo Porto é a Blue Dragon.
Juntem um grupo de dez pessoas e vão dar um passeio. Não se esqueçam é de dizer que vão da parte do Robene. E de preferência escolham o guia turístico que tem os pés ligados e usa umas sapatilhas Meireles ou coisa que o valha. Ouvi dizer que é o melhor.
terça-feira, maio 18, 2010
London Calling
Não gostei assim muito de Londres.
Estava frio, as gajas são um bocado cavalonas e meias rosadas e toda a gente pensava que eu era indiano.
Os nossos companheiros de quarto no Hostel eram um americano que fazia sapateado e dois niggas que vinham algures da Guiana Francesa mas que tinham Macbooks e muito Bling ao pescoço. Fechavam o cacifo do quarto a sete chaves, pelo que ou guardavam lá diamantes de sangue ou pensavam que eu era efectivamente indiano.
Ao contrário de Madrid, não se podia fumar em lado nenhum. Para fumar, eu tinha de sair do Hostel, percorrer uma ruela que desembocava num beco sem saída, escuro e com caixotes do lixo. Por várias vezes temi pela minha segurança, mas só fui interpelado uma vez, por um belga de quinze anos que me perguntou se eu tinha coca. Cada vez mais desconfio dos Hostéis que o G. selecciona.
Em Londres tudo é para lá de caro. Queríamos ir ao museu de Cera, mas tínhamos de desembolsar com 30 euros, pelo que em vez de ter fotos a apertar as mamas duma Britney Spears de cera, tenho fotos no Tate Modern que era de graça.
Aparentemente a única coisa que se come em Londres são hamburguers com batata frita. A população local parece não querer saber de comida uma vez que tudo o que fazem é beber Pints, que são copos de meio litro de cerveja.
Houve uma vez que fomos comer sushi, mas aquela merda caiu-me mal e passei a noite toda a arrotar a salmão crú e algas japonesas.
Já agora, porque é que não me torno é repórter de viagens?
Estava frio, as gajas são um bocado cavalonas e meias rosadas e toda a gente pensava que eu era indiano.
Os nossos companheiros de quarto no Hostel eram um americano que fazia sapateado e dois niggas que vinham algures da Guiana Francesa mas que tinham Macbooks e muito Bling ao pescoço. Fechavam o cacifo do quarto a sete chaves, pelo que ou guardavam lá diamantes de sangue ou pensavam que eu era efectivamente indiano.
Ao contrário de Madrid, não se podia fumar em lado nenhum. Para fumar, eu tinha de sair do Hostel, percorrer uma ruela que desembocava num beco sem saída, escuro e com caixotes do lixo. Por várias vezes temi pela minha segurança, mas só fui interpelado uma vez, por um belga de quinze anos que me perguntou se eu tinha coca. Cada vez mais desconfio dos Hostéis que o G. selecciona.
Em Londres tudo é para lá de caro. Queríamos ir ao museu de Cera, mas tínhamos de desembolsar com 30 euros, pelo que em vez de ter fotos a apertar as mamas duma Britney Spears de cera, tenho fotos no Tate Modern que era de graça.
Aparentemente a única coisa que se come em Londres são hamburguers com batata frita. A população local parece não querer saber de comida uma vez que tudo o que fazem é beber Pints, que são copos de meio litro de cerveja.
Houve uma vez que fomos comer sushi, mas aquela merda caiu-me mal e passei a noite toda a arrotar a salmão crú e algas japonesas.
Já agora, porque é que não me torno é repórter de viagens?
segunda-feira, maio 10, 2010
Pai nosso
Pai nosso que estais no céu, coloca a tua mãozinha por baixo do avião da Ryanair no qual vou viajar hoje à noite.
Não deixai que nenhuma cinza do Vulcão Eyfajnnfodasequenomedocaralho entre nos motores e rebente com o avião todo.
Se alguma calamidade tem de acontecer que seja na Queima das fitas de Coimbra, que estes bebêdos não me têm deixado dormir com os berros. Ou na visita do Papa, que o gajo tem uma cara esquisita.
Que amanhã possa estar em Londres, num espectacular Hostel com 800 pessoas, a partilhar uma camarada com mais 18 marmanjos e marmanjas.
Ámen.
Não deixai que nenhuma cinza do Vulcão Eyfajnnfodasequenomedocaralho entre nos motores e rebente com o avião todo.
Se alguma calamidade tem de acontecer que seja na Queima das fitas de Coimbra, que estes bebêdos não me têm deixado dormir com os berros. Ou na visita do Papa, que o gajo tem uma cara esquisita.
Que amanhã possa estar em Londres, num espectacular Hostel com 800 pessoas, a partilhar uma camarada com mais 18 marmanjos e marmanjas.
Ámen.
quarta-feira, maio 05, 2010
Conversas de café
As primeiras impressões são muito importantes.
Uma pessoa lava bem os dentes, penteia-se, usa uma camisola sem nódoas e até desodorizante.
Mas depois chega à mesa de café e ri-se de forma descontrolada, bebe 3 finos em 2 minutos e inexplicavelmente começa a falar dos números do euromilhões.
Mas chega de falar das pessoas com quem tenho saído.
Eu por mim tenho um método bem fiável para perceber se vou gostar daquela pessoa ou não.
A meio da conversa lanço um «Dá-me só dois minutos, que eu vou ali cagar».
Se noto um ar enojado, aproveito e saio disfarçadamente sem pagar a conta.
Se noto um ar interessado ou até curioso, prossigo com a frase «Ah, afinal já não preciso, acabei de me peidar».
Se depois disto a pessoa ainda estiver à minha frente, só vos digo que pode vir a ser a mãe dos meus filhos.
Uma pessoa lava bem os dentes, penteia-se, usa uma camisola sem nódoas e até desodorizante.
Mas depois chega à mesa de café e ri-se de forma descontrolada, bebe 3 finos em 2 minutos e inexplicavelmente começa a falar dos números do euromilhões.
Mas chega de falar das pessoas com quem tenho saído.
Eu por mim tenho um método bem fiável para perceber se vou gostar daquela pessoa ou não.
A meio da conversa lanço um «Dá-me só dois minutos, que eu vou ali cagar».
Se noto um ar enojado, aproveito e saio disfarçadamente sem pagar a conta.
Se noto um ar interessado ou até curioso, prossigo com a frase «Ah, afinal já não preciso, acabei de me peidar».
Se depois disto a pessoa ainda estiver à minha frente, só vos digo que pode vir a ser a mãe dos meus filhos.
1 Kawasaki em Oiã
Quando tinha 16 anos quis ter uma mota. Imaginava-me já a chegar à praia no meu potente motão Kawasaki a sacar cavalinhos, tirar o capacete num movimento sexy e entrar praia adentro com duas mamalhudas debaixo de cada braço.
Reparem, eu tinha 16 anos e era virgem. Uma mota representava não só um meio de transporte, mas também um modo de engatar miúdas.
Por alturas do meu aniversário implorei, chorei, ajoelhei, mas os os meus pais não me deram sequer uma Scooter abichanada.
Segundo a minha mãe, o mais provável era eu estampar-me na curva seguinte e ficar desfigurado. Segundo o meu pai, era uma forma fácil de engravidar uma miúda qualquer (esperto o velho).
Contas feitas disseram que se quisesse, podia ficar com a mota antiga do meu pai.
Uma Casal azul clara e preta.
Orgulhoso saí à rua, montado num chasso mais velho que a Sé de Braga (na verdade acho que a mota já era mesmo herdada do meu avô) e sem saber como travar. Planeava ir ter com uns amigos, fazer uma entrada triunfal com a mota a rugir testorena.
Acelerei uma vez, a mota fugiu-me e eu caí de costas no chão.
Nesse dia não consegui sequer ir à matinés da discoteca de Oiã (esta terra existe mesmo, google it!).
2 anos mais tarde tirei a carta de carro.
E perdi a virgindade.
Finalmente.
Reparem, eu tinha 16 anos e era virgem. Uma mota representava não só um meio de transporte, mas também um modo de engatar miúdas.
Por alturas do meu aniversário implorei, chorei, ajoelhei, mas os os meus pais não me deram sequer uma Scooter abichanada.
Segundo a minha mãe, o mais provável era eu estampar-me na curva seguinte e ficar desfigurado. Segundo o meu pai, era uma forma fácil de engravidar uma miúda qualquer (esperto o velho).
Contas feitas disseram que se quisesse, podia ficar com a mota antiga do meu pai.
Uma Casal azul clara e preta.
Orgulhoso saí à rua, montado num chasso mais velho que a Sé de Braga (na verdade acho que a mota já era mesmo herdada do meu avô) e sem saber como travar. Planeava ir ter com uns amigos, fazer uma entrada triunfal com a mota a rugir testorena.
Acelerei uma vez, a mota fugiu-me e eu caí de costas no chão.
Nesse dia não consegui sequer ir à matinés da discoteca de Oiã (esta terra existe mesmo, google it!).
2 anos mais tarde tirei a carta de carro.
E perdi a virgindade.
Finalmente.
sexta-feira, abril 16, 2010
Todos os nomes
Eu estive quase para me chamar Bernardo. Se assim fosse, seria agora possivelmente um advogado de sucesso, conduziria um BMW e teria uma casa na Foz do Porto.
Infelizmente o meu avô paterno também se chamava Bernardo, e a minha mãe não podia com ele, pelo que o nome chique e com pedigree que deveria ter agora foi com os cães.
A minha mãe queria que eu tivesse um nome ainda mais chique. Um nome que mal as pessoas ouvissem associariam a estatuto e poder. A minha mãe queria chamar-me Tony.
Reparem, o meu apelido é Santos. Tony Santos. Seria de longe algo que as pessoas nunca esqueceriam.
Infeizmente no registo informaram o meu pai que o nome Tony com Y não era permitido. E claro que Toni com I, não tem metade do potencial de chiqueza. Vai daí, fiquei Robene.
Robene não é um mau nome. Quando as pessoas pronunciam Robene, conseguem ao mesmo tempo libertar um pouco do escarro que têm preso na garganta. É um nome que ajuda as pessoas.
O giro era alguém efectivamente conseguir fixá-lo. Já fui chamado de tudo: Ronaldo, Roberto, Ricardo, Hugo ou o mais comum: Bruno. Em toda a minha vida conheci um único Robene, que tal como eu nunca era tratado pelo nome. O meu amigo G., que conheci no primeiro ano de faculdade não gostava de mim porque tinha um nome esquisito.
Resolvi por isso recorrer à única ajuda possível hoje em dia para trazer um pouco de visibilidade a este problema que assola a sociedade e criar um novo grupo do Facebook: Pessoas com nomes esquisitos também têm sentimentos.
Peço a todos os Armindos, Albanos, Romeus e Vitorinos que se juntem a mim nesta luta.
Juntos vamos dominar o mundo, e fazer com que a próxima geração de bébés se deixe de chamar Martim e Santiago!
Infelizmente o meu avô paterno também se chamava Bernardo, e a minha mãe não podia com ele, pelo que o nome chique e com pedigree que deveria ter agora foi com os cães.
A minha mãe queria que eu tivesse um nome ainda mais chique. Um nome que mal as pessoas ouvissem associariam a estatuto e poder. A minha mãe queria chamar-me Tony.
Reparem, o meu apelido é Santos. Tony Santos. Seria de longe algo que as pessoas nunca esqueceriam.
Infeizmente no registo informaram o meu pai que o nome Tony com Y não era permitido. E claro que Toni com I, não tem metade do potencial de chiqueza. Vai daí, fiquei Robene.
Robene não é um mau nome. Quando as pessoas pronunciam Robene, conseguem ao mesmo tempo libertar um pouco do escarro que têm preso na garganta. É um nome que ajuda as pessoas.
O giro era alguém efectivamente conseguir fixá-lo. Já fui chamado de tudo: Ronaldo, Roberto, Ricardo, Hugo ou o mais comum: Bruno. Em toda a minha vida conheci um único Robene, que tal como eu nunca era tratado pelo nome. O meu amigo G., que conheci no primeiro ano de faculdade não gostava de mim porque tinha um nome esquisito.
Resolvi por isso recorrer à única ajuda possível hoje em dia para trazer um pouco de visibilidade a este problema que assola a sociedade e criar um novo grupo do Facebook: Pessoas com nomes esquisitos também têm sentimentos.
Peço a todos os Armindos, Albanos, Romeus e Vitorinos que se juntem a mim nesta luta.
Juntos vamos dominar o mundo, e fazer com que a próxima geração de bébés se deixe de chamar Martim e Santiago!
quarta-feira, abril 14, 2010
Dona Clara
A dona Clara é um anjo. Raras vezes falei bem de alguém neste blog, mas sinto que chegou o momento.
A dona Clara vem às quartas de manhã. Às 9 horas toca à campainha, eu abro-lhe a porta e volto para a cama.
Enquanto isso a dona Clara aspira-me a casa, desentope-me a sanita, ordena-me os iogurtes por data de validade e consegue encontrar todos os pares das meias perdidas.
Quando por volta do meio dia acordo, ela vai-me fazer a cama, põe a roupa a lavar separada por cores, e abre as janelas para arejar o cheiro a bedúm.
No outro dia mandou-me com o quadro do Vertigo ao chão e partiu um bocado da moldura. Tentou escondê-lo atrás da televisão, mas eu dei logo nela. Tenho confiança na dona Clara: uma vez deixei um euro e 72 cêntimos na mesa da sala a testá-la e ela não mos fanou. Não vai ser uma moldura meio rachada que me vai fazer zangar com a dona Clara.
Também me faz o almoço, para ir cheio de energia para o trabalho.
Não tarda muito começo a chamá-la de Mãe.
domingo, abril 04, 2010
Krka
Há uma nova empresa de genéricos a operar em Portugal.
É a eslovena Krka.
Isso mesmo, Krka.
No outro dia tive de pedir um paracetamol Krka ao fornecedor.
Robene: Olá, queria o paracetamol da Krka (pronunciei Kerka)
Fornecedor: Estou a ouvir mal. Não percebi.
Robene: Paracetamol Krka (desta vez, pensando que se calhar tinha dito mal, pronunciei Kurka)
Fornecedor: Está engasgado?
Robene: K-R-K-A!
Fornecedor: Ah! O paracetamol K-R-K-A.
Resta dizer que o utente que me pediu o paracetamol o chamou de Krika.
Não auguro grande futuro a esta empresa.
É a eslovena Krka.
Isso mesmo, Krka.
No outro dia tive de pedir um paracetamol Krka ao fornecedor.
Robene: Olá, queria o paracetamol da Krka (pronunciei Kerka)
Fornecedor: Estou a ouvir mal. Não percebi.
Robene: Paracetamol Krka (desta vez, pensando que se calhar tinha dito mal, pronunciei Kurka)
Fornecedor: Está engasgado?
Robene: K-R-K-A!
Fornecedor: Ah! O paracetamol K-R-K-A.
Resta dizer que o utente que me pediu o paracetamol o chamou de Krika.
Não auguro grande futuro a esta empresa.
sábado, abril 03, 2010
O pico
No meu trabalho cada pessoa tem o seu pico.
O pico é basicamente um sítio em que colocamos as tarefas que temos de fazer, mas que por toda e mais alguma razão não nos apete...não temos tempo para fazer. E é vê-lo crescer todos os dias, aumentando de tamanho, ganhando vida própria, exigindo ser alimentado.
Eu regra geral tento ignorar o meu pico. Passo por ele, mas sei que se lhe der atenção vou ter de ligar a algum chato que não pagou a conta, vou ter de rever stocks ou pior, vou ter de efectivamente ler circulares de segurança do INFARMED.
Quando vim de Espanha o meu pico era já uma torre. Impedia mesmo a passagem de pessoas para a parte de trás da farmácia. Tive portanto de lhe dedicar algum tempo. E é incrível ver que a maior parte das tarefas já estavam ou resolvidas ou esquecidas.
A minha eficácia laboral ficou mais uma vez provada.
O pico é basicamente um sítio em que colocamos as tarefas que temos de fazer, mas que por toda e mais alguma razão não nos apete...não temos tempo para fazer. E é vê-lo crescer todos os dias, aumentando de tamanho, ganhando vida própria, exigindo ser alimentado.
Eu regra geral tento ignorar o meu pico. Passo por ele, mas sei que se lhe der atenção vou ter de ligar a algum chato que não pagou a conta, vou ter de rever stocks ou pior, vou ter de efectivamente ler circulares de segurança do INFARMED.
Quando vim de Espanha o meu pico era já uma torre. Impedia mesmo a passagem de pessoas para a parte de trás da farmácia. Tive portanto de lhe dedicar algum tempo. E é incrível ver que a maior parte das tarefas já estavam ou resolvidas ou esquecidas.
A minha eficácia laboral ficou mais uma vez provada.
quarta-feira, março 31, 2010
Classificados
Recém licenciado com bumbum apetitoso. Boca gulosa e língua marota. Primeira vez em Coimbra. Discreto, atendo ao domícilio.
A forma de pagamento serão bilhetes para os U2 em Outubro. Acabei de saber que Interpol vão fazer a primeira parte!
A forma de pagamento serão bilhetes para os U2 em Outubro. Acabei de saber que Interpol vão fazer a primeira parte!
sábado, março 27, 2010
Madrid me mata...parte 3
Prado? Rainha Sofia?
Os espanhóis dormem a sesta, fumam em todo lado, não lavam as mãos depois de mijar e os restaurantes têm o chão mais nojento que a minha antiga casa. Sim, há um espanhol dentro de mim.
E já vos disse que o que ele mais gostam é FIESTA?
Ah, sim, foi isto que viémos fazer a Madrid!
Madrid me gusta...mucho!
Madrid me mata...parte 2
Depois de uma tarde frustrada no Prado, chegámos à conclusão que se calhar gostamos mais de arte contemporânea...Seguimos para o museu Rainha Sofia...
Eu a olhar para três paletes de madeira no chão.
Eu a admirar a incrível estética de um estendal de meias.
Uma das obras mestre da exposição, um triângulo de alumínio.
Eu a imitar um cão, numa projecção de um filme qualquer super artístico.
Hum...se calhar museus não são bem para nós...Mas então...que raio é que viémos fazer a Madrid?
Eu a olhar para três paletes de madeira no chão.
Eu a admirar a incrível estética de um estendal de meias.
Uma das obras mestre da exposição, um triângulo de alumínio.
Eu a imitar um cão, numa projecção de um filme qualquer super artístico.
Hum...se calhar museus não são bem para nós...Mas então...que raio é que viémos fazer a Madrid?
Madrid me mata...parte 1

Museu do Prado. Terça Feira, 23 Março. Depois de ver este quadro a minha vida mudou para sempre. Aí está, a Virgem Maria, a esguichar um jacto de leite da mama para a boca de um santo qualquer. E toda a gente me dizia que o Museu do Prado era uma seca. Na verdade até era. Foram duas horas exasperantes a ver centenas de quadros de Cristo crucificado, e apenas um em que a Virgem Maria mostrava os atributos. 8 euros só para Softcore...
Padres ao volante
Não vos vou ainda deliciar com a fantástica descrição destas férias em Madrid. Deixem-me só dizer-vos como acabou: eu e o G., num carro com três padres a virmos do aeroporto. A 300 km/hr num Opel Corsa de 1990. E a embatermos nuns pins de sinalização que separavam duas vias.
Sim, foi mesmo assim que acabou.
Agora imaginem o ínicio.
Sim, foi mesmo assim que acabou.
Agora imaginem o ínicio.
domingo, março 21, 2010
Aeroplano
Nunca fui grande fã de andar de avião.
Por norma escolho sempre os lugares junto à coxia, com o terço nas mãos e procuro ver se existem bébés de colo e crianças de tenra idade. É um alívio saber que se o avião cair, há-de haver sempre alguém que viveu menos que eu.
Ultimamente a coisa piorou. Nas últimas viagens tenho de ir sempre drogado, pelo que quando fui para Budapeste estava tão relaxado que não conseguia parar de me rir. As pessoas olhavam para mim, e eu com os olhos ganzados, cremalheira de fora (que é coisa que tenho muito), um ar de quem acabou de mandar uma linha de coca na casa de banho. Não foi o caso...dessa vez pelo menos.
O G., quase sempre o companheiro de viagem é um gajo que me acalma imenso. Mal abanca o rabo esquelético adormece imediatamente. Não tenho tempo sequer de dizer: MEU DEUS G., ESTOU QUASE A BORRAR-ME DE MEDO. A meio da frase, ele já está no sono REM.
Uma vez numa viagem de 16 horas de autocarro, de Montenegro para Belgrado (reparem, um autocarro dos anos 60, num país quase ainda em guerra, pelo meio do mato e a chover torrencialmente) o G. dormia profundamente, e eu gramava um montenegrino de 160 kilos sem poder sequer pousar o cotovelo no descanso, que estava partido.
Isto tudo para dizer que daqui a umas horas estarei num avião, tendo como única companhia o meu Xanax 0,5.
Antes de entrar, a primeira coisa que vou fazer é contar as crianças de colo na fila do check in.
Por norma escolho sempre os lugares junto à coxia, com o terço nas mãos e procuro ver se existem bébés de colo e crianças de tenra idade. É um alívio saber que se o avião cair, há-de haver sempre alguém que viveu menos que eu.
Ultimamente a coisa piorou. Nas últimas viagens tenho de ir sempre drogado, pelo que quando fui para Budapeste estava tão relaxado que não conseguia parar de me rir. As pessoas olhavam para mim, e eu com os olhos ganzados, cremalheira de fora (que é coisa que tenho muito), um ar de quem acabou de mandar uma linha de coca na casa de banho. Não foi o caso...dessa vez pelo menos.
O G., quase sempre o companheiro de viagem é um gajo que me acalma imenso. Mal abanca o rabo esquelético adormece imediatamente. Não tenho tempo sequer de dizer: MEU DEUS G., ESTOU QUASE A BORRAR-ME DE MEDO. A meio da frase, ele já está no sono REM.
Uma vez numa viagem de 16 horas de autocarro, de Montenegro para Belgrado (reparem, um autocarro dos anos 60, num país quase ainda em guerra, pelo meio do mato e a chover torrencialmente) o G. dormia profundamente, e eu gramava um montenegrino de 160 kilos sem poder sequer pousar o cotovelo no descanso, que estava partido.
Isto tudo para dizer que daqui a umas horas estarei num avião, tendo como única companhia o meu Xanax 0,5.
Antes de entrar, a primeira coisa que vou fazer é contar as crianças de colo na fila do check in.
Guernica
Lo dia porque tanto temia ha llegado.
Manana voy a passar 4 dias em Madrid com un amigo.
Mi espanol es perfecto. Planejo conocer muchas chicas e beber mucha cerveza.
Estoy tambiém treinando la frase «Onde fica a casa de banho?» em español (donde está lá toilette?).
E vou a googlar preservativo em español!
Tchau tios, até daqui a 4 dias!
Manana voy a passar 4 dias em Madrid com un amigo.
Mi espanol es perfecto. Planejo conocer muchas chicas e beber mucha cerveza.
Estoy tambiém treinando la frase «Onde fica a casa de banho?» em español (donde está lá toilette?).
E vou a googlar preservativo em español!
Tchau tios, até daqui a 4 dias!
sábado, março 13, 2010
Dr
Estou a ter um ataque de pânico.
Amanhã vou fazer uma pequena apresentação sobre a minha tese de doutoramento no centro de investigação do qual sou membro.
Hoje mesmo passei o dia a ouvir os resumos das teses dos outros doutorandos. Juro por Deus que não percebi pelo menos 95% delas. Porque é que as pessoas insistem em usar palavras como imagética, idiossincracia, pictórica? Fui já comprar o meu dicionário de bolso da Porto Editora.
Achei por isso melhor fazer um «upgrade» da verborreia que amanhã vou cuspir. Não quero que alguém consiga entender o que vou fazer do meu doutoramento. Quero que as pessoas saiam de lá a pensar que eu falo extraordinariamente bem, embora não saibam exactamente sobre o quê.
Outras problemáticas me assolam o espírito: A apresentação é depois do almoço...Terei os dentes limpos? Pelo sim pelo não, não vou comer alface. Será que ir de sapatilhas me dará um ar de jovem investigador fashion ou pelo contrário de drogado que não sabe empregar palavras caras em apresentações? Será que devia ter feito o Powerpoint com letras em cor de laranja? Será que alguém vai topar que o máximo que ainda fiz foi pesquisar artigos na Net enquanto via episódios de Family Guy online?
Caríssimos, amanhã é o dia D. D de dúvidas.
Amanhã vou fazer uma pequena apresentação sobre a minha tese de doutoramento no centro de investigação do qual sou membro.
Hoje mesmo passei o dia a ouvir os resumos das teses dos outros doutorandos. Juro por Deus que não percebi pelo menos 95% delas. Porque é que as pessoas insistem em usar palavras como imagética, idiossincracia, pictórica? Fui já comprar o meu dicionário de bolso da Porto Editora.
Achei por isso melhor fazer um «upgrade» da verborreia que amanhã vou cuspir. Não quero que alguém consiga entender o que vou fazer do meu doutoramento. Quero que as pessoas saiam de lá a pensar que eu falo extraordinariamente bem, embora não saibam exactamente sobre o quê.
Outras problemáticas me assolam o espírito: A apresentação é depois do almoço...Terei os dentes limpos? Pelo sim pelo não, não vou comer alface. Será que ir de sapatilhas me dará um ar de jovem investigador fashion ou pelo contrário de drogado que não sabe empregar palavras caras em apresentações? Será que devia ter feito o Powerpoint com letras em cor de laranja? Será que alguém vai topar que o máximo que ainda fiz foi pesquisar artigos na Net enquanto via episódios de Family Guy online?
Caríssimos, amanhã é o dia D. D de dúvidas.
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