quarta-feira, dezembro 03, 2008

O sorriso das empadas de galinha

Chegou outro filme adaptado de livros de Nicolas Sparks. Este chama-se: «O sorriso das estrelas».
Isso mesmo: «O sorriso das estrelas».

(momento de pausa, para reflectir um pouco. Este é um título que leva o seu tempo a digerir)

Eu já me imagino, a chegar ao cinema, e a pedir: eu quero um bilhete para «o sorriso das estrelas». Nisto o empregado mete-me de quatro e sodomiza-me com um balde de pipocas (salgadas), enquanto eu tento alcançar a minha pochette cor de rosa, para ligar do meu telemóvel Hello Kitty e pedir ajuda aos bombeiros.
Esta situação é obviamente muito pouco provável (tirando a parte do telemóvel da hello kitty), uma vez que eu sou um gajo que só vai ver o 007 e coisas super intelectuais como «Este país não é para velhos», onde adormeço mal o Javier Bardem aparece com uma merda de matar vacas e eu topo logo o a seca que vai ser outro filme dos irmãos Cohen.
Mas voltando ao Nicolas.
Este gajo é um homem que ganha a vida a enganar as pessoas. Por pessoas leia-se mulheres nos 40's, divorciadas, a tomar prozac e com vibradores em várias cores e feitios.

Nos seus romances (dos quais eu apenas leio a contracapa), há sempre uma pobre mulher infeliz, cornuda e frígida, que subitamente encontra o amor da sua vida, um homossexual recalcado que decide ter filhos. Ai não é bem isto? Leiam lá esta sinopse...

Andrienne Willis é uma mulher forte e [...ligeiramente frígida...], depois de o marido a ter abandonado por uma mulher mais nova [ou seja é cornuda]. Agora, passados mais de quinze anos, a sua filha Amanda precisa desesperadamente da sua ajuda: a morte do marido esta a conduzi-la para o abismo [das drogas pesadas]. Nesse momento, Andrienne resolve contar-lhe o seu mais profundo e íntimo segredo. Tudo acontecera há catorze anos [...blábláblá...] Adrienne, já com quarenta e cinco anos[velha, portanto], ainda não conseguira reconstruir a sua vida. Até que,durante um fim-de-semana,parte para Rodanthe [Roquê?onde?]a fim de tomar conta da estalagem de uma amiga enquanto esta estivesse fora.Uma forte tempestade aproxima-se e Andrienne recebe [...blábláblá...zzz] Paul Flanner, um prestigiado médico de cinquenta e quatro anos, cheio de dúvidas[acerca da sua sexualidade] e problemas de consciência [disfunção eréctil]. E é então que, quando menos espera, nasce um amor que irá para sempre mudar as suas vidas ...


Ok, as partes entre [] foram inclusão minha, mas de certeza que é isto que o Nicolas queria escrever.
Meu Deus, volta Margarida Rebelo Pinto que estás perdoada.
Por favor estúdios de todo o mundo. Não gastem mais dinheiro em «Palavras que nunca te direi» ou «O diário da nossa paixão». Deixem os livros da Susanna Tamaro em lares de terceira idade, que é onde pertencem. Ninguém lê Isabel Allende na verdade. Os livros dela servem só de prenda de Natal para familiares afastados, que por sua vez os oferecem no ano a seguir às empregadas de limpeza.

Por favor. Não obriguem mais namorados incautos a terem de suportar estas sessões de tortura. Parem de adaptar estas coisas ao grande ecrã.

domingo, novembro 30, 2008

A minha agenda, a minha agenda tururururum

Tinha 6 anos. Era véspera de Natal.
Estava eu, sentado à lareira, a ler o Ensaio sobre a cegueira, do Saramago.
Eis quando me entra pela porta adentro o maluco do vizinho, vestido de Pai Natal, aos berros e gritos : «Pequeno Robene, portaste-te bem este ano? Oh-oh-oh», agitando um saco vermelho e fazendo uma pequena dança esquizofrénica, a meio entre o Kuduro e dança contemporânea.
Entretanto a minha irmã chegou-se demasiado à fogueira, e a saia dela pegou fogo. Em dois minutos, estavam o Pai Natal on acids, o meu pai e a minha mãe, com a minha irmã deitada no chão e toda a gente a tentar apagar o fogo.
A minha avó deu-me qualquer coisa como 50 escudos, e disse para eu os gastar bem gastos. Com estas prendas espectaculares por parte dos meus avós, consegui juntar dinheiro para, aos 15 anos, comprar o meu primeiro maço de tabaco.
O meu pai ofereceu-me uma trompete e disse que esperava que eu continuasse a tradição da família, ou seja, tocar numa banda filarmónica. Isto explica que, aos 12 anos, quando eu decidi desistir de ser o trompetista oficial da banda filarmónica da terra, o meu pai tenha passado todas as heranças para o nome da minha irmã. E que desde então ele me tenha obrigado a chamá-lo de João, em vez de Papá.
A minha mãe ofereceu-me um cachecol e vales prenda do continente com a validade de 20 anos, que deram para me aguentar pela faculdade a comer chipmix e chocapic (ao almoço e jantar).

E tudo o que eu tinha pedido era a minha agenda.

Sejam bem vindos a mais uma época natalícia. Eu por mim, vou hibernar. As músicas de Natal provocam-me diarreia.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Maps

Podiam ter sido estes no post anterior. Fica para a próxima...

Desafios parte 2

Ok, respondendo ao desafio que a Maria Inês me lançou!

Regras: "colocar uma foto individual nossa, escolher uma banda/artista de eleição; responder às perguntas com títulos de canções da banda/artista escolhido; e desafiar 4 bloguistas para passarem a outro e não ao mesmo. "

Hum....
Embora eu suspeite que isto é tudo um esquema para me conseguirem ver o focinho, estou em dívida para com a Maria Inês, que tão gentilmente me informou que na Pull & Bear há calças do meu
tamanho. (lamento amigos, a minha identidade deve permanecer incógnita. Sim, sou o Tintim latino.)

Banda : Ok, aqui tive um grande dilema. Por um lado há o grande Quim Barreiros, por outro lado essa grande girls-band causadora das ejaculações nocturnas dos nossos pais. Para não magoar os sentimentos de ninguém decidi escolher os Interpol.

1) És homem ou mulher? Rosemary (pelo menos começa por R)

2) Descreve-te: Public Pervert

3) O que as pessoas acham de ti? Slow Hands

4) Como descreves o teu último relacionamento: All fired up

5) Descreve o estado actual da tua relação: No I in threesome (get it? Ahah.)

6) Onde querias estar agora? Lightouse

7) O que pensas a respeito do amor? Obstacle 1

8) Como é a tua vida?Pioneer to the falls

9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? C'mere

10) Escreve uma frase sábia: Somehow I'm not impressed (NYC)


Agora esmerem-se:

Trindade

Zanine

Jacaré

Maria's





terça-feira, novembro 18, 2008

Interview with the vampires

E o que é que eu respondo quando me perguntam : «Se eu fosse seu amigo íntimo, como o descreveria?».
Foda-se. Não podia dizer «Epá, o Robene é uma verdadeiro Deus entre os homens, a minha tristeza só se apaga na presença desse verdadeiro Jesus Cristo versão 2008. Na verdade sonho secretamente um dia roubar-lhe esperma para inseminar a minha futura esposa e ter pequenos Robenes com o meu apelido».
Ia parecer demasiado pretencioso, (embora totalmente verdadeiro).
Em vez disso sussurei um: «Que sou engraçado e fiel». Ou seja, os meus amigos pensam que eu sou um cão, portanto.

E sim, devia ter ido de fato.

quinta-feira, novembro 13, 2008

DST's e patrões

Quando era criança, o meu pai ensinou-me valiosas lições.

Robinho - dizia o meu pai, quando fores a casamentos filho, come tudo o que puderes. E o que não conseguires comer, mete no bolso.
E ele tinha razão. Por isso levava sempre uma sacola para os casamentos, e durante uma semana, comíamos à grande e à francesa leitão e arroz de marisco.

Robinho - dizia o meu pai, anda sempre com cuecas lavadas filho. Não fosse por isso e não eras nascido.
E ele tinha razão. As gajas não gostam de cuecas com selo, por muito que sejam Calvin Kline. Muito menos se forem Sibal.

Robinho - dizia o meu pai, São as que tem melhor ar que são as mais porcas.
E ele tinha razão. Às custas de não seguir este conselho, tive um caso de balonite peniana (não perguntem o que é que eu não vou responder), e outro de borbulhas na cabeça do dito cujo de tal maneira grave que pensei que o meu róbene junior ia cair ao chão e ser varrido para o lixo, qual salsicha apodrecida de um cachorro quente esquecido no frigorifico.

Mas o mais importante foi mesmo este:
Robinho - dizia o meu pai, tu não nasceste para ser empregado. Tu nasceste para ser patrão.
Tens razão paizinho.
Tens tanta razão...

terça-feira, novembro 11, 2008

Aeromoça

Ainda acreditam que as hospedeiras de bordo são pessoas que só não são top-models porque eram muito baixas?

S., hospedeira de bordo da Ryanair, grande amiga, conversa de sábado à noite:

S.: No outro dia num vôo estava com uns gases que não podia.
Robene: Coitada. Deve ser lixado. Pança cheia e não te podes peidar.
S.: Quem disse? Enquanto servia os amendoins e os cachorros quentes caguei-me toda.
Robene: O quê? Mas...
S.: O barulho das turbinas encobre tudo. Ninguém ouviu.
Robene: Mas dás peidos sonoros? Eu não posso acreditar! E aquela imagem galante das hospedeiras de bordo?
S.: Mas eu sou galante! Enquanto me peido, sorrio sempre para a pessoa!

Hum, começo a desconfiar de hospedeiras de bordo demasiado sorridentes.

sexta-feira, novembro 07, 2008

5 razões para não comeres nas cantinas da UC...

1. O G. nunca encontrou a carne picada no esparguete à bolonhesa.
2. O R. nunca encontrou o molho béchamel na lasanha.
3. A P. nunca encontrou o bacalhau no bacalhau à brás.
4. A Z. nunca encontrou os ovos nas salsichas com ovos escalfados.
5. A A. encontrou um penso rápido na sopa de agriões.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Chocolate

OBAMA!
OBAMA!
OBAMA!

(até eu estava capaz de me nacionalizar norte americano, só para votar)

sexta-feira, outubro 31, 2008

Robin dos Bosques

O mundo da farmácia tem muito mais do que aquilo que se vê de fora. Não, não é só aturar velhas pestilentas. O farmacêutico é um verdadeiro agente de saúde pública que, enquanto as velhas não chegam à farmácia tem de fazer mil e uma coisas nos bastidores: roubar amostras, conversar sobre os vizinhos, cortar as unhas dos pés e até, às vezes, em momentos de loucura, ler as circulares do Infarmed sobre medicamentos retirados.
Uma das minhas imensas funções é corrigir receituário. Passo a explicar: o doentinho chega à farmácia com uma receita do sôdotor, o Robene avia a receita e, depois, alguém vai corrigir a receita a ver se tudo foi nos conformes (esse alguém, costumo ser eu também). Caso tenhamos, hipoteticamente, por engano dado o dobro das dosagens prescritas pelo médico, há que corrigir a receita, para que, quando o doente (agora sem rins e fígado) vier reclamar que lhe demos a medicação errada, nós possamos dizer: «O quê? está louco?!?!? Olhe aqui!!! Demos tudo certinho. A culpa é toda do médico».

Obviamente que esta é uma função verdadeiramente merdosa. Estar a tarde toda a corrigir receitas é tão emocionante como o Herman José a apresentar a Roda da Sorte.
Vai daí, eu inventei pequenas distracções. Como assinar as receitas com nomes estapafúrdios. Como John Holmes. Ou Sancho Pança. Ou Adolfo Dias.
O problema...Bem...o problema é que este mês vieram receitas minhas devolvidas (i.é., seus ignóbeis, as receitas estavam com algum erro que por alguma razão escaparam ao meu olho de águia, e o serviço nacional devolveu-as sem pagar a comparticipação, capice?).

Doutora XPTO: Vieram receitas devolvidas, Robene.
Robene: Hum...
Doutora XPTO: Vamos ver quem foi o farmacêutico responsável.
Robene (a suar, pensando): Por favor que não tenha sido nenhuma das que eu assinei no gozo, por favor, por favor, por favor Meu Deus, pelo menos desta vez salva-me o coiro...
Doutora XPTO: Farmacêutico ROBIN DOS BOSQUES? Mas o que é isto????
Robene: Pois...ai...não sei....eheheh...ahahah...
Doutora XPTO: Isto é uma coisa séria!! E esta está assinada como Picapau Amarelo!!!
Robene: Foi uma piadinha hihih, para animar o pessoal que confere no SNS...eheheh...aiiiiiii...
Doutora XPTO: (Olhar de fúria).


Isto há gente sem o mínimo sentido de humor.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Grandiloquência (isto existe?)

Em cada circular que leio da UC lá vem a frase...
«O Magnífico reitor da Universidade de Coimbra...blá,blá,blá...»


Desculpem lá mas onde é que o senhor Reitor tirou este grau académico? Terá sido numa das magníficas faculdades da Universidade de Coimbra? Terá tido magníficas notas? Será ele uma pessoa magnífica? Ou será que magnífico significa merdoso e ninguém me disse nada? Terá o significado da palavra magnífico misteriosamente mudado? Será que ainda falamos todos português?

Estas e outras dúvidas têm-me impedido de raciocinar devidamente nos últimos dias. Por isso, de ora em diante, cada vez que se referirem à minha pessoa deverá ser «o Magnífico Robene». Quando esta merda passar a monarquia, e eu for o vosso rei, quero um cognome adequado.

Whatever happened to?...

Meg Ryan? Ok, depois de lhe ver as mamas no In the cut, eu percebo que a mulher tenha acabado a carreira cinematográfica...Mas até lhe achava certa piada...

segunda-feira, outubro 27, 2008

Meds

In O segredo, de Ronda Byrne:

«Visualizar é o segredo. Visualize uma situação que deriva do facto do seu desejo se ter concretizado. Só acreditando você consegue. Quanto mais pessoas visualizarem, melhor.»

Vá gente, tudo a visualizar o Robene a fazer reanimação cardio-respiratória a moribundos em overdose.
A minha vida anda tão triste que vou tentar entrar em medicina!

Dinner time

Fui jantar no outro dia, Sábado de Latada, com o pessoal.
Nos nossos jantares, antes académicos agora de amigos, há apenas uma regra: tem de ser no sítio mais nojento que se encontre, desde que seja barato.
Assim já jantámos em pleno Dezembro numa esplanada de rua (a aragem -7ºC ajudou a digerir a grelhada mista); em caves sem nenhuma janela num restaurante chamado Cova Funda; num vão de escada chamado Viela, onde o dono jurava a pés juntos que um traficante de droga lhe tinha dado 35 mil euros para guardar; e às vezes, em acessos de desespero, chegámos a ir jantar às cantinas da Universidade de Coimbra.
Os nossos jantares são sempre altos encontros intelectuais. É por isso que entre discussões de Proust, Saramago, o amante do Jorg Haider e o facto dos Buraka Som Sistema terem um dueto com uma outra gaja qualquer que eu nunca ouvi falar, mas que o R.L. quer à viva força que eu mencione no blog, nunca percebi muito bem como é que acabamos os jantares extremamente bebâdos, com toda a gente aos berros para eu, Robene, dançar a minha famosa dança dos Anjos (um dia posto vídeos).
Obviamente que já foram mais loucos do que agora, mas a idade pesa, e eu já não abano muito bem as ancas, ainda por cima agora que vou ao ginásio e tenho muito mais músculo para mexer.
De qualquer maneira, há sempre coisas novas para aprender em cada jantar...

Os Peidos não são como os pombos
Que voam nos pombais
Os pombos vão e voltam
Os peidos não voltam mais.

terça-feira, outubro 21, 2008

Paris, Texas

Apesar de Deus (ou o Bigfoot) me ter dado um rol de qualidades inumeráveis, o sentido de orientação não foi uma delas.
Aproveito para dizer agora que, no Sábado, me deu na veneta ir ver a Aimee Mann a Lisboa. Sem GPS. E sozinho.
Vejo o roteiro na net, e penso: tu consegues Robene. Tu és um gajo maior de idade, tens carro e acima de tudo até falas português que se entenda. Tu consegues chegar ao Coliseu.
E lá vou eu, tanque cheio e cigarros no bolso.
Na autoestrada tudo bem. Mantive-me sempre na faixa da direita, nunca passei os 90, e fui cantando alegremente músicas da Aimee Mann para entrar no espírito.
E eis que chego a Lisboa. E eis que o caminho por mim decorado está...CORTADO AO TRÂNSITO. Panico um bocado. «Tu consegues Robene, tu consegues», mas os meus tomates estão cada vez mais encolhidos.
Pergunto ao sôr polícia por onde devo ir para chegar ao coliseu. O polícia responde qualquer coisa como «Vai-te foder coimbrinha do caralho, não te vou dizer nada». Ou me disse isto ou me deu as indicações, mas vai tudo dar ao mesmo, porque eu não sou de lisboa e mesmo que ele me tenha dado as indicações eu não percebi um caralho.
Durante o que me pareceu dias a fim, tentei encontrar o Coliseu e por fim lá dei com o sítio.
Entro, sento-me, ainda o coração a palpitar (já para não falar que fiquei com o Pedro Granger ao meu lado, por pouco estive para me vir embora). Lá vejo o concerto (bela merda, por sinal), e preparo-me então para sair.
Durante duas horas (2HORAS) tento encontrar o caminho de volta para a A1. Fumo um maço inteiro em desepero. Dou voltas e voltas, querendo pedir indicações a alguém, mas toda a gente me parece ou putas, ou ladrões ou paneleiros. Tranco o carro não vá ser vítima de carjacking.
Quando dou por mim, estou parado no Martim Moniz, quase em lágrimas, rezando a Deus (ou ao Bigfoot) para sair dali com o meu carro e já agora anûs intacto.
Eventualmente dou com o aeroporto, e choro de alegria por finalmente estar na A1.

Sair de Coimbra outra vez? Nunca mais. Esta é a minha safe zone.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Como?

In blitz:

«E se o hino nacional fosse... dos Deolinda?

Petição na internet é um sucesso. Algumas centenas (para já) querem ver "Movimento Perpétuo Associativo" substituir "A Portuguesa". Chega de heróis do mar?»


Caso para dizer fon fon FODA-SE!

sexta-feira, outubro 10, 2008

Noites de serviço, parte 2

(Note-se que nas noites de serviço, eu atendo o pessoal por um pequeno postigo protegido por vidro à prova de bala)


Mulher (aparentemente normal): Um Motilium, por favor.
Robene: Vou ter de lhe cobrar taxa se não tem receita.
Mulher (ou a sua dupla personalidade): Filhos de uma puta!!!#$%"&!/. Cabrões do Caralho. É o estado não é? É esse paneleiro do Sócrates!!!%&#$"%...
Robene (visivelmente sem palavras, coisa rara): Hum...pronto, pronto. Quanto é que tem aí?
Mulher (ou a sua tripla personalidade): 10 euros. Obrigado meu rapaz. Se este vidro não nos separasse (enquanto diz isto desliza com as mãos pelo vidro), eu agradecia-te pessoalmente.

Eu acho que devia era receber um subsídio por ter uma profissão de risco.

Gym Class Hero

Hoje não me consigo mexer. Estou totalmente dorido. Doem-me os braços, o peito e as pernas.
Fui atropelado.
Ou é como se tivesse sido.
Fui ao ginásio pela primeira vez. Decidi que já chega ter de suster o fôlego e encolher a barriga cada vez que visto as calças.
Assim, eis-me de ténis Nike, calções sport zone e t-shirt do sudoeste de 2002 no espectacular Faculdades do Corpo, que passará, doravante, a ser chamado de segunda casa.
O ginásio está cheio de gajos musculados, que gemem cada vez que levantam peso. Por muito excitante que possa ser alguém a gritar PUTAAAAA enquanto levanta 50 quilos, não é propriamente o glamour que o Homes Place parece ser, mas os cabrões do HP pedem uma mensalidade apenas possível a donos de bancos e paneleiros.
E foi assim que eu comecei com 15 minutos de corrida, seguido de mais não sei quantos milhares de horas em máquinas de musculação, onde senti a minha virilidade elevada ao máximo (como se isso fosse possível).
Em breve começarei a tomar esteróides anabolizantes, a comer apenas proteínas, e a malhar ferro de manhã à noite. Passarei de Robene a Robenão, nome carinhoso que os amigos vão ter de me passar a chamar, sob pena de lhes espetar uma lambiostina e deixá-los em estado vegetal.

Ah, e já paguei um ano inteiro.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Free me

Vejo na televisão um anúncio da Zon com uma tal de Ana Free. Ouço na rádio, a toda a hora, a dita cuja da Ana Free. Pergunto: mas quem caralho é a Ana Free? E que merda de nome é este? Dizem-me que é o novo fenómeno, descoberta no Youtube.
Caríssimos, fenómeno é eu próprio não ser ainda uma rockstar, de tão bem que canto.
Eu dou autênticos espectáculos no chuveiro, só me falta é o cachet.
Eu sou daqueles gajos que quando conduz, mete o rádio no máximo, e vai a berrar, enquanto acompanha a bateria com baquetes imaginárias nas mãos. Isto é muito bonito na auto estrada, mas descobri recentemente que em semáforos da cidade não funciona muito bem, quando fui insultado por duas pitas que me toparam a cantar e a esbracejar no carro, quase tendo um ataque orgásmico a ouvir umas musicoilas de Joy Division. Concerteza eram fãs da Ana Free.

Então portanto eu vou gravar um vídeo no Youtube. Consistirá em mim, a cantar músicas numa língua inventada por moi même (foi assim que os Sigur Ros conseguiram a sua legião de fãs), enquanto toco um instrumento também concebido por mim, o Robenelho, que consiste numa guitarra cujas cordas foram substituídas por pintelhos que tirei do ralo da banheira. Para aproveitar a onda do Devendra Banhart, vou estar nuzinho da silva, e com um ar ligeiramente ganzado, a modos que a dizer ó-pa-mim-sou-o-epíteto-da-coolness.
Em breve, vou ter a Meo atrás de mim.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Gripe dos velhos

Descansado, regresso ao trabalho. Vou calmo, pensando no tapete vermelho que me espera, um festim de boas vindas composto de leitão assado e vinho tinto do bom, a subserviência dos meus colegas de trabalho depois de duas semanas sem a minha ajuda.
E de repente lembro-me. «OH NÃO. É OUTUBRO. CHEGARAM AS VACINAS DA GRIPE!»

Aproveito aqui para vos segredar um pequeno aparte. Os velhos são pessoas que passam o ano todo com os netinhos, cozinhando pequenos banquetes doces, passando a roupa e passeando os cães pelo parque. Eu disse todo o ano? ERRADO. Em Outubro, os velhos passam-se dos cornos, trancam os netos na cave, cozinham atum com batatas e matam o Lulu, tudo para serem os primeiros a terem a sua vacina da gripe. É uma questão de vida ou morte. Ou têm a vacina, ou podem começar uma marcha lenta pela IC2 em direcção a Lisboa, o que implica milhares de arrastadeiras a entupirem os principais acessos às cidades, provocando o colapso de Portugal inteiro.
É por isso que em Agosto, de mansinho, eles começam a ligar para a farmácia, para saberem se já temos stock de vacinas. «Não, só em Outubro», respondo eu. Mas eles insistem todos os dias, como a que testarem a minha saúde mental e capacidade de pegar num machado e cortar a carótida a alguém.

Voltando ao meu regresso à farmácia...Ainda penso em ir-me embora. Estou a tempo. Volto para trás, despeço-me por telefone, e evito assim chegar a casa com o odor a naftalina e pasta couto na roupa.
Olho de soslaio para a farmácia. O caminho parece livre. Nem um velho à vista.
Visto a bata.
Mal ponho os pés no balcão, qual filme do Hitchock, surgem-me duas velhas pela retaguarda, mandando-me bengaladas na cabeça e prometendo sexo geriátrico se lhes arranjar duas Influvac.
E será assim até ao final de Outubro, altura em que as hormonas gripais desçam a níveis normais, e os velhos voltem a ser o que são: velhas passas encarquidas (mas sem medo da gripe).