O mundo da farmácia tem muito mais do que aquilo que se vê de fora. Não, não é só aturar velhas pestilentas. O farmacêutico é um verdadeiro agente de saúde pública que, enquanto as velhas não chegam à farmácia tem de fazer mil e uma coisas nos bastidores: roubar amostras, conversar sobre os vizinhos, cortar as unhas dos pés e até, às vezes, em momentos de loucura, ler as circulares do Infarmed sobre medicamentos retirados.
Uma das minhas imensas funções é corrigir receituário. Passo a explicar: o doentinho chega à farmácia com uma receita do sôdotor, o Robene avia a receita e, depois, alguém vai corrigir a receita a ver se tudo foi nos conformes (esse alguém, costumo ser eu também). Caso tenhamos, hipoteticamente, por engano dado o dobro das dosagens prescritas pelo médico, há que corrigir a receita, para que, quando o doente (agora sem rins e fígado) vier reclamar que lhe demos a medicação errada, nós possamos dizer: «O quê? está louco?!?!? Olhe aqui!!! Demos tudo certinho. A culpa é toda do médico».
Obviamente que esta é uma função verdadeiramente merdosa. Estar a tarde toda a corrigir receitas é tão emocionante como o Herman José a apresentar a Roda da Sorte.
Vai daí, eu inventei pequenas distracções. Como assinar as receitas com nomes estapafúrdios. Como John Holmes. Ou Sancho Pança. Ou Adolfo Dias.
O problema...Bem...o problema é que este mês vieram receitas minhas devolvidas (i.é., seus ignóbeis, as receitas estavam com algum erro que por alguma razão escaparam ao meu olho de águia, e o serviço nacional devolveu-as sem pagar a comparticipação, capice?).
Doutora XPTO: Vieram receitas devolvidas, Robene.
Robene: Hum...
Doutora XPTO: Vamos ver quem foi o farmacêutico responsável.
Robene (a suar, pensando): Por favor que não tenha sido nenhuma das que eu assinei no gozo, por favor, por favor, por favor Meu Deus, pelo menos desta vez salva-me o coiro...
Doutora XPTO: Farmacêutico ROBIN DOS BOSQUES? Mas o que é isto????
Robene: Pois...ai...não sei....eheheh...ahahah...
Doutora XPTO: Isto é uma coisa séria!! E esta está assinada como Picapau Amarelo!!!
Robene: Foi uma piadinha hihih, para animar o pessoal que confere no SNS...eheheh...aiiiiiii...
Doutora XPTO: (Olhar de fúria).
Isto há gente sem o mínimo sentido de humor.
sexta-feira, outubro 31, 2008
quarta-feira, outubro 29, 2008
Grandiloquência (isto existe?)
Em cada circular que leio da UC lá vem a frase...
«O Magnífico reitor da Universidade de Coimbra...blá,blá,blá...»
Desculpem lá mas onde é que o senhor Reitor tirou este grau académico? Terá sido numa das magníficas faculdades da Universidade de Coimbra? Terá tido magníficas notas? Será ele uma pessoa magnífica? Ou será que magnífico significa merdoso e ninguém me disse nada? Terá o significado da palavra magnífico misteriosamente mudado? Será que ainda falamos todos português?
Estas e outras dúvidas têm-me impedido de raciocinar devidamente nos últimos dias. Por isso, de ora em diante, cada vez que se referirem à minha pessoa deverá ser «o Magnífico Robene». Quando esta merda passar a monarquia, e eu for o vosso rei, quero um cognome adequado.
«O Magnífico reitor da Universidade de Coimbra...blá,blá,blá...»
Desculpem lá mas onde é que o senhor Reitor tirou este grau académico? Terá sido numa das magníficas faculdades da Universidade de Coimbra? Terá tido magníficas notas? Será ele uma pessoa magnífica? Ou será que magnífico significa merdoso e ninguém me disse nada? Terá o significado da palavra magnífico misteriosamente mudado? Será que ainda falamos todos português?
Estas e outras dúvidas têm-me impedido de raciocinar devidamente nos últimos dias. Por isso, de ora em diante, cada vez que se referirem à minha pessoa deverá ser «o Magnífico Robene». Quando esta merda passar a monarquia, e eu for o vosso rei, quero um cognome adequado.
Whatever happened to?...
segunda-feira, outubro 27, 2008
Meds
In O segredo, de Ronda Byrne:
«Visualizar é o segredo. Visualize uma situação que deriva do facto do seu desejo se ter concretizado. Só acreditando você consegue. Quanto mais pessoas visualizarem, melhor.»
Vá gente, tudo a visualizar o Robene a fazer reanimação cardio-respiratória a moribundos em overdose.
A minha vida anda tão triste que vou tentar entrar em medicina!
«Visualizar é o segredo. Visualize uma situação que deriva do facto do seu desejo se ter concretizado. Só acreditando você consegue. Quanto mais pessoas visualizarem, melhor.»
Vá gente, tudo a visualizar o Robene a fazer reanimação cardio-respiratória a moribundos em overdose.
A minha vida anda tão triste que vou tentar entrar em medicina!
Dinner time
Fui jantar no outro dia, Sábado de Latada, com o pessoal.
Nos nossos jantares, antes académicos agora de amigos, há apenas uma regra: tem de ser no sítio mais nojento que se encontre, desde que seja barato.
Assim já jantámos em pleno Dezembro numa esplanada de rua (a aragem -7ºC ajudou a digerir a grelhada mista); em caves sem nenhuma janela num restaurante chamado Cova Funda; num vão de escada chamado Viela, onde o dono jurava a pés juntos que um traficante de droga lhe tinha dado 35 mil euros para guardar; e às vezes, em acessos de desespero, chegámos a ir jantar às cantinas da Universidade de Coimbra.
Os nossos jantares são sempre altos encontros intelectuais. É por isso que entre discussões de Proust, Saramago, o amante do Jorg Haider e o facto dos Buraka Som Sistema terem um dueto com uma outra gaja qualquer que eu nunca ouvi falar, mas que o R.L. quer à viva força que eu mencione no blog, nunca percebi muito bem como é que acabamos os jantares extremamente bebâdos, com toda a gente aos berros para eu, Robene, dançar a minha famosa dança dos Anjos (um dia posto vídeos).
Obviamente que já foram mais loucos do que agora, mas a idade pesa, e eu já não abano muito bem as ancas, ainda por cima agora que vou ao ginásio e tenho muito mais músculo para mexer.
De qualquer maneira, há sempre coisas novas para aprender em cada jantar...
Os Peidos não são como os pombos
Que voam nos pombais
Os pombos vão e voltam
Os peidos não voltam mais.
Nos nossos jantares, antes académicos agora de amigos, há apenas uma regra: tem de ser no sítio mais nojento que se encontre, desde que seja barato.
Assim já jantámos em pleno Dezembro numa esplanada de rua (a aragem -7ºC ajudou a digerir a grelhada mista); em caves sem nenhuma janela num restaurante chamado Cova Funda; num vão de escada chamado Viela, onde o dono jurava a pés juntos que um traficante de droga lhe tinha dado 35 mil euros para guardar; e às vezes, em acessos de desespero, chegámos a ir jantar às cantinas da Universidade de Coimbra.
Os nossos jantares são sempre altos encontros intelectuais. É por isso que entre discussões de Proust, Saramago, o amante do Jorg Haider e o facto dos Buraka Som Sistema terem um dueto com uma outra gaja qualquer que eu nunca ouvi falar, mas que o R.L. quer à viva força que eu mencione no blog, nunca percebi muito bem como é que acabamos os jantares extremamente bebâdos, com toda a gente aos berros para eu, Robene, dançar a minha famosa dança dos Anjos (um dia posto vídeos).
Obviamente que já foram mais loucos do que agora, mas a idade pesa, e eu já não abano muito bem as ancas, ainda por cima agora que vou ao ginásio e tenho muito mais músculo para mexer.
De qualquer maneira, há sempre coisas novas para aprender em cada jantar...
Os Peidos não são como os pombos
Que voam nos pombais
Os pombos vão e voltam
Os peidos não voltam mais.
terça-feira, outubro 21, 2008
Paris, Texas
Apesar de Deus (ou o Bigfoot) me ter dado um rol de qualidades inumeráveis, o sentido de orientação não foi uma delas.
Aproveito para dizer agora que, no Sábado, me deu na veneta ir ver a Aimee Mann a Lisboa. Sem GPS. E sozinho.
Vejo o roteiro na net, e penso: tu consegues Robene. Tu és um gajo maior de idade, tens carro e acima de tudo até falas português que se entenda. Tu consegues chegar ao Coliseu.
E lá vou eu, tanque cheio e cigarros no bolso.
Na autoestrada tudo bem. Mantive-me sempre na faixa da direita, nunca passei os 90, e fui cantando alegremente músicas da Aimee Mann para entrar no espírito.
E eis que chego a Lisboa. E eis que o caminho por mim decorado está...CORTADO AO TRÂNSITO. Panico um bocado. «Tu consegues Robene, tu consegues», mas os meus tomates estão cada vez mais encolhidos.
Pergunto ao sôr polícia por onde devo ir para chegar ao coliseu. O polícia responde qualquer coisa como «Vai-te foder coimbrinha do caralho, não te vou dizer nada». Ou me disse isto ou me deu as indicações, mas vai tudo dar ao mesmo, porque eu não sou de lisboa e mesmo que ele me tenha dado as indicações eu não percebi um caralho.
Durante o que me pareceu dias a fim, tentei encontrar o Coliseu e por fim lá dei com o sítio.
Entro, sento-me, ainda o coração a palpitar (já para não falar que fiquei com o Pedro Granger ao meu lado, por pouco estive para me vir embora). Lá vejo o concerto (bela merda, por sinal), e preparo-me então para sair.
Durante duas horas (2HORAS) tento encontrar o caminho de volta para a A1. Fumo um maço inteiro em desepero. Dou voltas e voltas, querendo pedir indicações a alguém, mas toda a gente me parece ou putas, ou ladrões ou paneleiros. Tranco o carro não vá ser vítima de carjacking.
Quando dou por mim, estou parado no Martim Moniz, quase em lágrimas, rezando a Deus (ou ao Bigfoot) para sair dali com o meu carro e já agora anûs intacto.
Eventualmente dou com o aeroporto, e choro de alegria por finalmente estar na A1.
Sair de Coimbra outra vez? Nunca mais. Esta é a minha safe zone.
Aproveito para dizer agora que, no Sábado, me deu na veneta ir ver a Aimee Mann a Lisboa. Sem GPS. E sozinho.
Vejo o roteiro na net, e penso: tu consegues Robene. Tu és um gajo maior de idade, tens carro e acima de tudo até falas português que se entenda. Tu consegues chegar ao Coliseu.
E lá vou eu, tanque cheio e cigarros no bolso.
Na autoestrada tudo bem. Mantive-me sempre na faixa da direita, nunca passei os 90, e fui cantando alegremente músicas da Aimee Mann para entrar no espírito.
E eis que chego a Lisboa. E eis que o caminho por mim decorado está...CORTADO AO TRÂNSITO. Panico um bocado. «Tu consegues Robene, tu consegues», mas os meus tomates estão cada vez mais encolhidos.
Pergunto ao sôr polícia por onde devo ir para chegar ao coliseu. O polícia responde qualquer coisa como «Vai-te foder coimbrinha do caralho, não te vou dizer nada». Ou me disse isto ou me deu as indicações, mas vai tudo dar ao mesmo, porque eu não sou de lisboa e mesmo que ele me tenha dado as indicações eu não percebi um caralho.
Durante o que me pareceu dias a fim, tentei encontrar o Coliseu e por fim lá dei com o sítio.
Entro, sento-me, ainda o coração a palpitar (já para não falar que fiquei com o Pedro Granger ao meu lado, por pouco estive para me vir embora). Lá vejo o concerto (bela merda, por sinal), e preparo-me então para sair.
Durante duas horas (2HORAS) tento encontrar o caminho de volta para a A1. Fumo um maço inteiro em desepero. Dou voltas e voltas, querendo pedir indicações a alguém, mas toda a gente me parece ou putas, ou ladrões ou paneleiros. Tranco o carro não vá ser vítima de carjacking.
Quando dou por mim, estou parado no Martim Moniz, quase em lágrimas, rezando a Deus (ou ao Bigfoot) para sair dali com o meu carro e já agora anûs intacto.
Eventualmente dou com o aeroporto, e choro de alegria por finalmente estar na A1.
Sair de Coimbra outra vez? Nunca mais. Esta é a minha safe zone.
sexta-feira, outubro 17, 2008
Como?
In blitz:
Caso para dizer fon fon FODA-SE!
| «E se o hino nacional fosse... dos Deolinda? |
| Petição na internet é um sucesso. Algumas centenas (para já) querem ver "Movimento Perpétuo Associativo" substituir "A Portuguesa". Chega de heróis do mar?» |
sexta-feira, outubro 10, 2008
Noites de serviço, parte 2
(Note-se que nas noites de serviço, eu atendo o pessoal por um pequeno postigo protegido por vidro à prova de bala)
Mulher (aparentemente normal): Um Motilium, por favor.
Robene: Vou ter de lhe cobrar taxa se não tem receita.
Mulher (ou a sua dupla personalidade): Filhos de uma puta!!!#$%"&!/. Cabrões do Caralho. É o estado não é? É esse paneleiro do Sócrates!!!%&#$"%...
Robene (visivelmente sem palavras, coisa rara): Hum...pronto, pronto. Quanto é que tem aí?
Mulher (ou a sua tripla personalidade): 10 euros. Obrigado meu rapaz. Se este vidro não nos separasse (enquanto diz isto desliza com as mãos pelo vidro), eu agradecia-te pessoalmente.
Eu acho que devia era receber um subsídio por ter uma profissão de risco.
Mulher (aparentemente normal): Um Motilium, por favor.
Robene: Vou ter de lhe cobrar taxa se não tem receita.
Mulher (ou a sua dupla personalidade): Filhos de uma puta!!!#$%"&!/. Cabrões do Caralho. É o estado não é? É esse paneleiro do Sócrates!!!%&#$"%...
Robene (visivelmente sem palavras, coisa rara): Hum...pronto, pronto. Quanto é que tem aí?
Mulher (ou a sua tripla personalidade): 10 euros. Obrigado meu rapaz. Se este vidro não nos separasse (enquanto diz isto desliza com as mãos pelo vidro), eu agradecia-te pessoalmente.
Eu acho que devia era receber um subsídio por ter uma profissão de risco.
Gym Class Hero
Hoje não me consigo mexer. Estou totalmente dorido. Doem-me os braços, o peito e as pernas.
Fui atropelado.
Ou é como se tivesse sido.
Fui ao ginásio pela primeira vez. Decidi que já chega ter de suster o fôlego e encolher a barriga cada vez que visto as calças.
Assim, eis-me de ténis Nike, calções sport zone e t-shirt do sudoeste de 2002 no espectacular Faculdades do Corpo, que passará, doravante, a ser chamado de segunda casa.
O ginásio está cheio de gajos musculados, que gemem cada vez que levantam peso. Por muito excitante que possa ser alguém a gritar PUTAAAAA enquanto levanta 50 quilos, não é propriamente o glamour que o Homes Place parece ser, mas os cabrões do HP pedem uma mensalidade apenas possível a donos de bancos e paneleiros.
E foi assim que eu comecei com 15 minutos de corrida, seguido de mais não sei quantos milhares de horas em máquinas de musculação, onde senti a minha virilidade elevada ao máximo (como se isso fosse possível).
Em breve começarei a tomar esteróides anabolizantes, a comer apenas proteínas, e a malhar ferro de manhã à noite. Passarei de Robene a Robenão, nome carinhoso que os amigos vão ter de me passar a chamar, sob pena de lhes espetar uma lambiostina e deixá-los em estado vegetal.
Ah, e já paguei um ano inteiro.
Fui atropelado.
Ou é como se tivesse sido.
Fui ao ginásio pela primeira vez. Decidi que já chega ter de suster o fôlego e encolher a barriga cada vez que visto as calças.
Assim, eis-me de ténis Nike, calções sport zone e t-shirt do sudoeste de 2002 no espectacular Faculdades do Corpo, que passará, doravante, a ser chamado de segunda casa.
O ginásio está cheio de gajos musculados, que gemem cada vez que levantam peso. Por muito excitante que possa ser alguém a gritar PUTAAAAA enquanto levanta 50 quilos, não é propriamente o glamour que o Homes Place parece ser, mas os cabrões do HP pedem uma mensalidade apenas possível a donos de bancos e paneleiros.
E foi assim que eu comecei com 15 minutos de corrida, seguido de mais não sei quantos milhares de horas em máquinas de musculação, onde senti a minha virilidade elevada ao máximo (como se isso fosse possível).
Em breve começarei a tomar esteróides anabolizantes, a comer apenas proteínas, e a malhar ferro de manhã à noite. Passarei de Robene a Robenão, nome carinhoso que os amigos vão ter de me passar a chamar, sob pena de lhes espetar uma lambiostina e deixá-los em estado vegetal.
Ah, e já paguei um ano inteiro.
sexta-feira, outubro 03, 2008
Free me
Vejo na televisão um anúncio da Zon com uma tal de Ana Free. Ouço na rádio, a toda a hora, a dita cuja da Ana Free. Pergunto: mas quem caralho é a Ana Free? E que merda de nome é este? Dizem-me que é o novo fenómeno, descoberta no Youtube.
Caríssimos, fenómeno é eu próprio não ser ainda uma rockstar, de tão bem que canto.
Eu dou autênticos espectáculos no chuveiro, só me falta é o cachet.
Eu sou daqueles gajos que quando conduz, mete o rádio no máximo, e vai a berrar, enquanto acompanha a bateria com baquetes imaginárias nas mãos. Isto é muito bonito na auto estrada, mas descobri recentemente que em semáforos da cidade não funciona muito bem, quando fui insultado por duas pitas que me toparam a cantar e a esbracejar no carro, quase tendo um ataque orgásmico a ouvir umas musicoilas de Joy Division. Concerteza eram fãs da Ana Free.
Então portanto eu vou gravar um vídeo no Youtube. Consistirá em mim, a cantar músicas numa língua inventada por moi même (foi assim que os Sigur Ros conseguiram a sua legião de fãs), enquanto toco um instrumento também concebido por mim, o Robenelho, que consiste numa guitarra cujas cordas foram substituídas por pintelhos que tirei do ralo da banheira. Para aproveitar a onda do Devendra Banhart, vou estar nuzinho da silva, e com um ar ligeiramente ganzado, a modos que a dizer ó-pa-mim-sou-o-epíteto-da-coolness.
Em breve, vou ter a Meo atrás de mim.
Caríssimos, fenómeno é eu próprio não ser ainda uma rockstar, de tão bem que canto.
Eu dou autênticos espectáculos no chuveiro, só me falta é o cachet.
Eu sou daqueles gajos que quando conduz, mete o rádio no máximo, e vai a berrar, enquanto acompanha a bateria com baquetes imaginárias nas mãos. Isto é muito bonito na auto estrada, mas descobri recentemente que em semáforos da cidade não funciona muito bem, quando fui insultado por duas pitas que me toparam a cantar e a esbracejar no carro, quase tendo um ataque orgásmico a ouvir umas musicoilas de Joy Division. Concerteza eram fãs da Ana Free.
Então portanto eu vou gravar um vídeo no Youtube. Consistirá em mim, a cantar músicas numa língua inventada por moi même (foi assim que os Sigur Ros conseguiram a sua legião de fãs), enquanto toco um instrumento também concebido por mim, o Robenelho, que consiste numa guitarra cujas cordas foram substituídas por pintelhos que tirei do ralo da banheira. Para aproveitar a onda do Devendra Banhart, vou estar nuzinho da silva, e com um ar ligeiramente ganzado, a modos que a dizer ó-pa-mim-sou-o-epíteto-da-coolness.
Em breve, vou ter a Meo atrás de mim.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Gripe dos velhos
Descansado, regresso ao trabalho. Vou calmo, pensando no tapete vermelho que me espera, um festim de boas vindas composto de leitão assado e vinho tinto do bom, a subserviência dos meus colegas de trabalho depois de duas semanas sem a minha ajuda.
E de repente lembro-me. «OH NÃO. É OUTUBRO. CHEGARAM AS VACINAS DA GRIPE!»
Aproveito aqui para vos segredar um pequeno aparte. Os velhos são pessoas que passam o ano todo com os netinhos, cozinhando pequenos banquetes doces, passando a roupa e passeando os cães pelo parque. Eu disse todo o ano? ERRADO. Em Outubro, os velhos passam-se dos cornos, trancam os netos na cave, cozinham atum com batatas e matam o Lulu, tudo para serem os primeiros a terem a sua vacina da gripe. É uma questão de vida ou morte. Ou têm a vacina, ou podem começar uma marcha lenta pela IC2 em direcção a Lisboa, o que implica milhares de arrastadeiras a entupirem os principais acessos às cidades, provocando o colapso de Portugal inteiro.
É por isso que em Agosto, de mansinho, eles começam a ligar para a farmácia, para saberem se já temos stock de vacinas. «Não, só em Outubro», respondo eu. Mas eles insistem todos os dias, como a que testarem a minha saúde mental e capacidade de pegar num machado e cortar a carótida a alguém.
Voltando ao meu regresso à farmácia...Ainda penso em ir-me embora. Estou a tempo. Volto para trás, despeço-me por telefone, e evito assim chegar a casa com o odor a naftalina e pasta couto na roupa.
Olho de soslaio para a farmácia. O caminho parece livre. Nem um velho à vista.
Visto a bata.
Mal ponho os pés no balcão, qual filme do Hitchock, surgem-me duas velhas pela retaguarda, mandando-me bengaladas na cabeça e prometendo sexo geriátrico se lhes arranjar duas Influvac.
E será assim até ao final de Outubro, altura em que as hormonas gripais desçam a níveis normais, e os velhos voltem a ser o que são: velhas passas encarquidas (mas sem medo da gripe).
E de repente lembro-me. «OH NÃO. É OUTUBRO. CHEGARAM AS VACINAS DA GRIPE!»
Aproveito aqui para vos segredar um pequeno aparte. Os velhos são pessoas que passam o ano todo com os netinhos, cozinhando pequenos banquetes doces, passando a roupa e passeando os cães pelo parque. Eu disse todo o ano? ERRADO. Em Outubro, os velhos passam-se dos cornos, trancam os netos na cave, cozinham atum com batatas e matam o Lulu, tudo para serem os primeiros a terem a sua vacina da gripe. É uma questão de vida ou morte. Ou têm a vacina, ou podem começar uma marcha lenta pela IC2 em direcção a Lisboa, o que implica milhares de arrastadeiras a entupirem os principais acessos às cidades, provocando o colapso de Portugal inteiro.
É por isso que em Agosto, de mansinho, eles começam a ligar para a farmácia, para saberem se já temos stock de vacinas. «Não, só em Outubro», respondo eu. Mas eles insistem todos os dias, como a que testarem a minha saúde mental e capacidade de pegar num machado e cortar a carótida a alguém.
Voltando ao meu regresso à farmácia...Ainda penso em ir-me embora. Estou a tempo. Volto para trás, despeço-me por telefone, e evito assim chegar a casa com o odor a naftalina e pasta couto na roupa.
Olho de soslaio para a farmácia. O caminho parece livre. Nem um velho à vista.
Visto a bata.
Mal ponho os pés no balcão, qual filme do Hitchock, surgem-me duas velhas pela retaguarda, mandando-me bengaladas na cabeça e prometendo sexo geriátrico se lhes arranjar duas Influvac.
E será assim até ao final de Outubro, altura em que as hormonas gripais desçam a níveis normais, e os velhos voltem a ser o que são: velhas passas encarquidas (mas sem medo da gripe).
segunda-feira, setembro 29, 2008
O nome das coisas
Programa da SIC, «Quando toca o telefone», apresentado por essa pérola da comunicação, Quimbé.
Quimbé: Boa noite, como se chama?
Concorrente:Ana.
Quimbé: Boa noite RATA.
Concorrente: É ANA.
Quimbé: Pois, isso...
Não percebo a indignação. Só tratou as coisas pelo nome.
( E eu não vi esta pérola, foi contada. Vou passar a ver religiosamente este programa. Este e o da Teresa Guilherme. Preciso de me instruir culturalmente).
Quimbé: Boa noite, como se chama?
Concorrente:Ana.
Quimbé: Boa noite RATA.
Concorrente: É ANA.
Quimbé: Pois, isso...
Não percebo a indignação. Só tratou as coisas pelo nome.
( E eu não vi esta pérola, foi contada. Vou passar a ver religiosamente este programa. Este e o da Teresa Guilherme. Preciso de me instruir culturalmente).
domingo, setembro 28, 2008
Voltei, Voltei. Voltei de lá.
Análise exaustiva das minhas férias:
BERLIM
Gajas: Todas um bocado horrorosas, mal vestidas, e pior, mais altas que eu!
Casas de banho: Proponho mais casas de banho ali junto às Portas de Brademburgo. Depois de percorrer o Starbucks, e o Dunkin'Donuts, só consegui aliviar o cagalhão português numa Hagen-Das (ou lá como se escreve esta merda, estou preguiça de pesquisar no google).
VARSÓVIA
Gajas: Incrivelmente boas. E têm discotecas com pole-strips, onde todas se agarram e dançam como se fossem do rancho das coelhinhas (programa a seguir com atenção na sic radical). Ou então fui eu que fui às discotecas erradas (ou certas, tudo depende do ponto de vista).
Casas de banho: Nada más. Consegui soltar o ADN castanho português várias vezes ao longo de Varsóvia inteira.
CRACÓVIA-AUSCHWITZ
Gajas: Boas. Mais uma vez as discotecas estão cheias de gajas que dançam agarrando a cabeça com a mão, abanando os cabelos ao ritmo do Tumz-Tumz. Cervejas de meio litro fazem com que ache que todas as polacas são a Eva Herzigova.
Casas de banho: De um modo geral boas, mas apanhei uma que cheirava a vómito que fedia. O que não me impediu de libertar as entranhas de todas as salsichas e pierogis que andei a morfar. Especialmente depois de ver as casas de banho em que os judeus cagavam nos campos de concentração.
VIENA
Gajas: Não há gajas em Viena. O País susbsiste com casais homosexuais que adoptam crianças vindas do Botswana.
Casas de banho: Depois de ver uma cidade em que cada edifício é um monumento imponente, estava à espera que no mínimo quando descarregasse o autoclismo começasse a soar a 5º Sinfonia do Beethoven. Tal não aconteceu. Fiquei algo desapontado.
E agora...de volta à vida real.
BERLIM
Gajas: Todas um bocado horrorosas, mal vestidas, e pior, mais altas que eu!
Casas de banho: Proponho mais casas de banho ali junto às Portas de Brademburgo. Depois de percorrer o Starbucks, e o Dunkin'Donuts, só consegui aliviar o cagalhão português numa Hagen-Das (ou lá como se escreve esta merda, estou preguiça de pesquisar no google).
VARSÓVIA
Gajas: Incrivelmente boas. E têm discotecas com pole-strips, onde todas se agarram e dançam como se fossem do rancho das coelhinhas (programa a seguir com atenção na sic radical). Ou então fui eu que fui às discotecas erradas (ou certas, tudo depende do ponto de vista).
Casas de banho: Nada más. Consegui soltar o ADN castanho português várias vezes ao longo de Varsóvia inteira.
CRACÓVIA-AUSCHWITZ
Gajas: Boas. Mais uma vez as discotecas estão cheias de gajas que dançam agarrando a cabeça com a mão, abanando os cabelos ao ritmo do Tumz-Tumz. Cervejas de meio litro fazem com que ache que todas as polacas são a Eva Herzigova.
Casas de banho: De um modo geral boas, mas apanhei uma que cheirava a vómito que fedia. O que não me impediu de libertar as entranhas de todas as salsichas e pierogis que andei a morfar. Especialmente depois de ver as casas de banho em que os judeus cagavam nos campos de concentração.
VIENA
Gajas: Não há gajas em Viena. O País susbsiste com casais homosexuais que adoptam crianças vindas do Botswana.
Casas de banho: Depois de ver uma cidade em que cada edifício é um monumento imponente, estava à espera que no mínimo quando descarregasse o autoclismo começasse a soar a 5º Sinfonia do Beethoven. Tal não aconteceu. Fiquei algo desapontado.
E agora...de volta à vida real.
sábado, setembro 13, 2008
Adeus
Pois é minha gente. Foi bom enquanto durou. 2 anos e tal, no meu livro, é muita fruta. Eu sou um gajo que normalmente começa uma tarefa, para minutos depois a largar sem paciência nenhuma. Por isso nunca consegui aprender alemão pelo CEAC nem nunca fui pai adolescente (apesar do Robene Júnior andar agora algures pelo 7 º sétimo).
Obrigado a todos os que seguiram este blog. Um beijo/abraço de despedida a todos.
............
Ah Ah.
Assustaram-se? Isto foi só um post para aumentar os comentários do género «Oh Robene, não vás, fica, a gente gosta tanto de ti», à semelhança do que muito boa gente faz (Trindade? coff coff...Mia? coff coff...)
Vou de férias meus amigos, 2 semanas de liberdade inesquecível por terras da Europa.
Logo depois, estou de volta, para mais umas postas de pescada que não interessam a absolutamente ninguém, excepto desempregados e pessoas cujos empregos são facilmente descartáveis, caso a humanidade disso dependesse (o meu caso, portanto).
Fériaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas!!!!!!!!!!!!!!
Obrigado a todos os que seguiram este blog. Um beijo/abraço de despedida a todos.
............
Ah Ah.
Assustaram-se? Isto foi só um post para aumentar os comentários do género «Oh Robene, não vás, fica, a gente gosta tanto de ti», à semelhança do que muito boa gente faz (Trindade? coff coff...Mia? coff coff...)
Vou de férias meus amigos, 2 semanas de liberdade inesquecível por terras da Europa.
Logo depois, estou de volta, para mais umas postas de pescada que não interessam a absolutamente ninguém, excepto desempregados e pessoas cujos empregos são facilmente descartáveis, caso a humanidade disso dependesse (o meu caso, portanto).
Fériaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas!!!!!!!!!!!!!!
quinta-feira, setembro 11, 2008
terça-feira, setembro 09, 2008
Nietzsche Bruni
Ultimamente toda a gente me quer pôr a ouvir Carla Bruni.
Ai que é tão indie e profundo. Que bela voz (e par de mamas já agora), que poemas tão bonitos.
Foda-se, se sussurrar merdas em francês enquanto se dedilha dois acordes na guitarra é muito profundo, os filmes softcore franceses dos anos setenta devem ser Nietzsche.
Ai que é tão indie e profundo. Que bela voz (e par de mamas já agora), que poemas tão bonitos.
Foda-se, se sussurrar merdas em francês enquanto se dedilha dois acordes na guitarra é muito profundo, os filmes softcore franceses dos anos setenta devem ser Nietzsche.
-inho
Desde que comecei a trabalhar o meu vocabulário tornou-se bem diferente. Todos os farmacêuticos sofrem de um síndrome, de hoje em diante designado como síndrome Robene, que chega a ser limitante e perturba a vida normal.
O síndrome Robene consiste em nomear todas as coisas pelo diminutivo carinhoso. « Como vai a saúdinha?», «Em que nome quer a facturinha?», «Vou por as coisas no saquinho», «E se me mamasse era o caralhinho?».
Dou por mim a fazer o jantarinho, a ir tomar cafézinho, a lavar o rabinho. A conduzir o carrinho, a ter muitos amiguinhos, a beber cervejinha e a ter sexozinho.
Mais uns anos disto e o pepino do post anterior não me vai soar assim tão mal.
O síndrome Robene consiste em nomear todas as coisas pelo diminutivo carinhoso. « Como vai a saúdinha?», «Em que nome quer a facturinha?», «Vou por as coisas no saquinho», «E se me mamasse era o caralhinho?».
Dou por mim a fazer o jantarinho, a ir tomar cafézinho, a lavar o rabinho. A conduzir o carrinho, a ter muitos amiguinhos, a beber cervejinha e a ter sexozinho.
Mais uns anos disto e o pepino do post anterior não me vai soar assim tão mal.
terça-feira, setembro 02, 2008
Setembro
Setembro costumava ser o meu mês favorito.
Era em Setembro que, depois de três meses a enfardar que nem um dinossauro e a repousar os abdominais definidos em toalhas de praia acompanhado de beldades suecas mamalhudas, voltava a Coimbra.
E Coimbra fervilhava.
Iludindo os meus pais de que vinha para a cidade fazer melhorias (coisa que obviamente não precisava, uma vez que sou um dos 3% melhores alunos da UC, o que me garante salvação automática em caso de holocausto nuclear, sendo um dos escolhidos para a propagação da espécie), chegava a Coimbra e saía todas as noites.
Isto volta a explicar o facto de pertencer à elite dos 3%:
Robene: Vamos sair pessoal?
G. (17 cadeiras em atraso):Não posso, tenho de estudar.
P. (25 cadeiras em atraso): Se eu chumbar este ano tenho de ir trabalhar para a Fernão Magalhães a vender o corpo. Os meus pais não me pagam mais o curso.
Robene: Cambada de paneleiros e fufas. Só se vive uma vez! Quando é que querem curtir a vida? Depois de estarem a trabalhar e inundados em dívidas?
G.: Pois, eu sei mas...
Robene: Olhem lá para fora, a noite aguarda-vos! Miúdas, cerveja, loucuras!
P.:Não dá mesmo...eu não tenho...
Robene: Vocês estão sozinhos há quanto tempo mesmo? Acham que é enfiados neste quarto lúgubre que vão encontrar alguém? É na noite, meus amigos!!!É na noite!!!
G. e P.: Ok, pronto, só uma cerveja...
Robene:A primeira rodada de shot's pago eu!
E pronto, anos volvidos, não sei muito bem o que aconteceu ao G. e à P. Acho que vi a P. no outro dia na Fernão Magalhães, a meter a cabeça num carro enfiada numa mini saia escandalosa.
De qualquer maneira, Setembro já não tem o mesmo gosto que tinha...Agora é só deprimente, olhar pela janela, e ver que não sou que estou a desencaminhar os amigos...
Era em Setembro que, depois de três meses a enfardar que nem um dinossauro e a repousar os abdominais definidos em toalhas de praia acompanhado de beldades suecas mamalhudas, voltava a Coimbra.
E Coimbra fervilhava.
Iludindo os meus pais de que vinha para a cidade fazer melhorias (coisa que obviamente não precisava, uma vez que sou um dos 3% melhores alunos da UC, o que me garante salvação automática em caso de holocausto nuclear, sendo um dos escolhidos para a propagação da espécie), chegava a Coimbra e saía todas as noites.
Isto volta a explicar o facto de pertencer à elite dos 3%:
Robene: Vamos sair pessoal?
G. (17 cadeiras em atraso):Não posso, tenho de estudar.
P. (25 cadeiras em atraso): Se eu chumbar este ano tenho de ir trabalhar para a Fernão Magalhães a vender o corpo. Os meus pais não me pagam mais o curso.
Robene: Cambada de paneleiros e fufas. Só se vive uma vez! Quando é que querem curtir a vida? Depois de estarem a trabalhar e inundados em dívidas?
G.: Pois, eu sei mas...
Robene: Olhem lá para fora, a noite aguarda-vos! Miúdas, cerveja, loucuras!
P.:Não dá mesmo...eu não tenho...
Robene: Vocês estão sozinhos há quanto tempo mesmo? Acham que é enfiados neste quarto lúgubre que vão encontrar alguém? É na noite, meus amigos!!!É na noite!!!
G. e P.: Ok, pronto, só uma cerveja...
Robene:A primeira rodada de shot's pago eu!
E pronto, anos volvidos, não sei muito bem o que aconteceu ao G. e à P. Acho que vi a P. no outro dia na Fernão Magalhães, a meter a cabeça num carro enfiada numa mini saia escandalosa.
De qualquer maneira, Setembro já não tem o mesmo gosto que tinha...Agora é só deprimente, olhar pela janela, e ver que não sou que estou a desencaminhar os amigos...
quarta-feira, agosto 27, 2008
3%
Hoje de manhã toca o telemóvel...
Robene: QUEM OUSA INCOMODAR O MEU SONO?!?!?!?!
Jovem do outro lado da linha: Sr. Robene?
Robene: O próprio caralho!
Jovem: Daqui é da secção financeira da Universidade de Coimbra. Precisamos do seu NIB.
Robene (rodopio de fúria, prevendo sangue): O QUÊ? Cambada de chupistas!!!! Já não basta ter andado este anos a sustentar-vos a pança, ainda me querem sugar mais dinheiro, não é? Parece inacreditável blábláblá, chorrilho de palavrões e insultos à mãe do jovem em questão...
Jovem (calmíssimo): Não, não é isso. É para lhe depositar o prémio de mérito.
Robene ($$$$$$$): Mas eu não me candidatei a nada dessa merda. Mas quem é que fala. És tu G.? Que merda de brincadeira. Deixa-me mas é dormir ó caralho.
Jovem: O Sr. Robene está entre os 3% de melhores alunos da Universidade de Coimbra. O estado atribui prémios automaticamente em função disso.
Robene: Sim, sim, isso e depois vem cá a casa lavar-me o rabinho e dar-me palmadas nas costas para arrotar melhor.
Jovem: Ok, se não acredita, enviamos o dinheiro por cheque. De qualquer maneira, porque é que não consulta a nossa página web? Está lá a lista dos premiados.
E não é que ganhei mesmo essa merda dos 3%? Eu sei, eu próprio fiquei 2 horas de boca aberta. Toda a gente a quem liguei a contar me disse que estava a ser vítima de fraude bancária. Mas lá estava o meu nome, lado a lado com os maiores cromos e marrões que o mundo já concebeu. Eu que passei o tempo todo de faculdade a vomitar cerveja em casa de banho de discotecas (nada de glamour como os anúncios da Superbock), e a tentar não adormecer nas parcas aulas a que ia. Das duas uma: ou entrei num ano de deficientes mentais, ou então devia era receber o prémio de melhor copianço da Universidade de Coimbra.
Seja como for, já não tenho de me preocupar em assaltar gasolineiras nas próximas duas semanas. O país, à custa destes 3%, pode dormir descansado.
PS: Berlim, aí vou eu!!!!!!
Robene: QUEM OUSA INCOMODAR O MEU SONO?!?!?!?!
Jovem do outro lado da linha: Sr. Robene?
Robene: O próprio caralho!
Jovem: Daqui é da secção financeira da Universidade de Coimbra. Precisamos do seu NIB.
Robene (rodopio de fúria, prevendo sangue): O QUÊ? Cambada de chupistas!!!! Já não basta ter andado este anos a sustentar-vos a pança, ainda me querem sugar mais dinheiro, não é? Parece inacreditável blábláblá, chorrilho de palavrões e insultos à mãe do jovem em questão...
Jovem (calmíssimo): Não, não é isso. É para lhe depositar o prémio de mérito.
Robene ($$$$$$$): Mas eu não me candidatei a nada dessa merda. Mas quem é que fala. És tu G.? Que merda de brincadeira. Deixa-me mas é dormir ó caralho.
Jovem: O Sr. Robene está entre os 3% de melhores alunos da Universidade de Coimbra. O estado atribui prémios automaticamente em função disso.
Robene: Sim, sim, isso e depois vem cá a casa lavar-me o rabinho e dar-me palmadas nas costas para arrotar melhor.
Jovem: Ok, se não acredita, enviamos o dinheiro por cheque. De qualquer maneira, porque é que não consulta a nossa página web? Está lá a lista dos premiados.
E não é que ganhei mesmo essa merda dos 3%? Eu sei, eu próprio fiquei 2 horas de boca aberta. Toda a gente a quem liguei a contar me disse que estava a ser vítima de fraude bancária. Mas lá estava o meu nome, lado a lado com os maiores cromos e marrões que o mundo já concebeu. Eu que passei o tempo todo de faculdade a vomitar cerveja em casa de banho de discotecas (nada de glamour como os anúncios da Superbock), e a tentar não adormecer nas parcas aulas a que ia. Das duas uma: ou entrei num ano de deficientes mentais, ou então devia era receber o prémio de melhor copianço da Universidade de Coimbra.
Seja como for, já não tenho de me preocupar em assaltar gasolineiras nas próximas duas semanas. O país, à custa destes 3%, pode dormir descansado.
PS: Berlim, aí vou eu!!!!!!
Música Ambiente
Ter música ambiente na Farmácia é uma coisa que me fascina. Todo o utente gosta de, enquanto espera pela sua medicação para o herpes vaginal, abanar o cagueiro ao som dos últimos hits. E dá sempre muito jeito para quando me perguntam «E este medicamento serve para quê, rapaz?» e eu os distraio, enquanto digo coisas engraçadas como «Já dançou esta modinha senhora Felismina?» E os velhos saem contentes. Desinformados, mas contentes.
Serve isto tudo para dizer que na minha farmácia a música ambiente provém dessa estação erudita que é a FM80. Afinal, parece que a Antena 3, segunda a minha patroa é «stressante, e incomodativa. Só os tolos é que ouvem esse tipo de música. ainda provocávamos um ataque cardíaco a alguém». Eu penso nisso como lucro, mas pronto, isso sou só eu, que tenho o dom da visão comercial da coisa.
A FM80, como o nome indica, passa inúmeros hits dos anos 80. Temos a Final coutdown dos Europe, umas 4 vezes por dia. O Like a virgin da Madonna, de hora a hora. E coisas interessantíssimas, como o Meat Loaf e a Bonnie Tyler em dueto, eu que pensava que a pior parelha de sempre era a da Mafalda Veiga com o João Pedro Pais (não é!).
E claro, a FM80 tinha de me tramar.
Entra na Farmácia uma jovem. A jovem é a coisa mais obscenamente obesa desde que o Fernando Mendes perdeu 2 quilos de peso na papada.
Jovem gorda: Aiiiiii, quero emagrecer, estou tão gorda, desde a puberdade que engordo e bláblálá, apetece-me um snikers de meia em meia hora.
De repente na FM80 começa a passar um tema de Roberto Carlos. Qual tema? As Baleias.
Jovem Gorda: Já tentei de tudo, mas não desço dos 98 quilos, eu que meço apenas 1,62...
(Roberto Carlos: E as baleias que cruzavam oceaaaaaanosss...)
Robene (pensando) : Controla-te, controla-te. Por favor controla-te.
Jovem Gorda: É um horror. Só me dá para comer batatas fritas, agora até há um sabor a picanha, ai tão bom e blábláblá, enfardo que nem uma máquina debulhadora...
( E as baleias que cruzavam oceaaaanosssss...)
Robene (pensando): Pensa no estado do país, pensa na Manuela Ferreira Leite. Pensa nos gajos da Tertúlia Cor de Rosa, e em como eles ganham mais num dia que tu num mês, só por serem paneleiros. Pensa em tudo, mas não te rias!
E não me ri. Como profissional sério que sou, aguentei até ao fim a tortura.
No final a miúda não quis comprar nada e saiu de lá com um simples adeus, enquanto me derrubava meia montra de sapatos ortopédicos com a peida.
Efectivamente, eu de manhã estou bem é na caminha.
Serve isto tudo para dizer que na minha farmácia a música ambiente provém dessa estação erudita que é a FM80. Afinal, parece que a Antena 3, segunda a minha patroa é «stressante, e incomodativa. Só os tolos é que ouvem esse tipo de música. ainda provocávamos um ataque cardíaco a alguém». Eu penso nisso como lucro, mas pronto, isso sou só eu, que tenho o dom da visão comercial da coisa.
A FM80, como o nome indica, passa inúmeros hits dos anos 80. Temos a Final coutdown dos Europe, umas 4 vezes por dia. O Like a virgin da Madonna, de hora a hora. E coisas interessantíssimas, como o Meat Loaf e a Bonnie Tyler em dueto, eu que pensava que a pior parelha de sempre era a da Mafalda Veiga com o João Pedro Pais (não é!).
E claro, a FM80 tinha de me tramar.
Entra na Farmácia uma jovem. A jovem é a coisa mais obscenamente obesa desde que o Fernando Mendes perdeu 2 quilos de peso na papada.
Jovem gorda: Aiiiiii, quero emagrecer, estou tão gorda, desde a puberdade que engordo e bláblálá, apetece-me um snikers de meia em meia hora.
De repente na FM80 começa a passar um tema de Roberto Carlos. Qual tema? As Baleias.
Jovem Gorda: Já tentei de tudo, mas não desço dos 98 quilos, eu que meço apenas 1,62...
(Roberto Carlos: E as baleias que cruzavam oceaaaaaanosss...)
Robene (pensando) : Controla-te, controla-te. Por favor controla-te.
Jovem Gorda: É um horror. Só me dá para comer batatas fritas, agora até há um sabor a picanha, ai tão bom e blábláblá, enfardo que nem uma máquina debulhadora...
( E as baleias que cruzavam oceaaaanosssss...)
Robene (pensando): Pensa no estado do país, pensa na Manuela Ferreira Leite. Pensa nos gajos da Tertúlia Cor de Rosa, e em como eles ganham mais num dia que tu num mês, só por serem paneleiros. Pensa em tudo, mas não te rias!
E não me ri. Como profissional sério que sou, aguentei até ao fim a tortura.
No final a miúda não quis comprar nada e saiu de lá com um simples adeus, enquanto me derrubava meia montra de sapatos ortopédicos com a peida.
Efectivamente, eu de manhã estou bem é na caminha.
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